segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Somebody is watching you...me...us

Em algum lugar do passado, o escritor George Orwell produziu uma obra que não deixa de estar na moda, às avessas, diria.
1984 é seu nome. Livro que retrata um mundo dominado pelo stalinismo, uma sociedade totalitária em que ninguém é dono de sua própria vida.
Uma metáfora de um mundo onde o estado onipresente comanda , oprime e tortura seu povo em uma guerra sem fim, com um único objetivo: manter sua estrutura inabalada.
Bem, leio que Orwell teve algumas fontes de inspiração para escrever seu romance, Stalin, Hitler e Churchill.
Lá está no livro o Big Brother, ou o "estado", que vigia 24 horas por dia a vida dos cidadãos, há ainda o Ministério da Verdade, que falsifica documentos e destrói qualquer referência ao passado, de modo que só haja o presente, a manipulação. Uma língua foi criada para codificar as mensagens desse mundo e que impede qualquer a expressão de qualquer opinião contrária ao regime. Curioso ainda o nome dos outros Ministérios: Verdade, Amor, Paz e Fartura!?
Alguém se pergunta, Por que esse assunto? Bem, amanhã no Brasil, inicia-se mais uma edição do tão famoso, onipresente, onipotente, indispensável Big Brother, produzido pela grande "estatal" televisiva do Brasil, a Rede Globo.
Hoje na Folha de São Paulo há até uma pesquisa: Por que os telespectadores do Brasil assistem o BigBro e outros similares? Eu bem que gostaria de saber a resposta convincente que faz milhões de pessoas se mobilizarem em frente da TV para assistir a um festival de besteirol, vulgaridades e superficialidades sem precedentes.
Eu já assisti ao programa, por isso me sinto no direito de opinar. Precisava entender o fenômeno. O que me intriga ainda hoje é que nos outros países em que também foi produzido, o programa já deu lugar a coisas menos banais. Mas aqui no Brasil não, ele permanece, como que desfrutando de um status de imortal. Chega o verão, vem janeiro e lá está ele, invadindo a casa das pessoas, é porque a minha não invade mais. Nos países latinos, o programa era chamado de "El Gran Hermano", na Italia de "Il Grande Fratello", nos EUA de "Big Brother", e nem a criatividade para "abrasileirar" o nome nós tivemos. Copiamos igualzinho ao da América - que coisa!
É ando mesmo com uma língua afiada nesses útimos dias. É o tempo livre para reflexão. Sugeriria humildemente que se fizessem programas mais interessantes, como por exemplo, cópias e mais cópias de "Fahrenheit 9/11" ou "Stupid White Men", distribuíssem o vídeo em que Saddam Hussein é torturado antes de morrer, e se não bastar, imagens de crianças e outros civis sendo mortos por soldados americanos, ingleses, e ITALIANOS! no Iraque. OK, para não sair do Brasil, vamos falar sobre as chuvas que ainda matam em pleno século 21! Hospitais públicos nas grandes cidades (pra começar os do RIO) caindo aos pedaços. Segundo nosso presidente, fomos, digo, os cariocas, foram vítimas de um ataque terrorista pré-natalino. Turistas assaltados ao saírem do Aeroporto premiados com passeios pela cidade. Meu amigo da Italia sempre me diz: Rio de Janeiro? Grazie, ma no! Quando irei revê-lo? Só Deus sabe. Imagino que quando seu filho estiver grande conheça a famosa "zia" brasiliana, isso se eu pegar o avião e ir até ele.
Uma eleição já se foi. E agora cara pálida? Vamos sentar na frente da TV e assisitr ao Big Brother. É um colírio para nossos olhos, um placebo para solucionar nossos problemas. E assim caminha a humanidade, ou melhor, os brasileiros!