domingo, 8 de abril de 2007

Por que esperar?

Um dia sentara à beira de um rio e lá ficara a admirar o movimento das águas impulsionado pela corrente, ora forte, ora fraca. Pensara: seria a corrente da vida? Sim, a vida. Ela nos levava a lugares que às vezes não desejávamos estar. Poderia ser o movimento do universo? O mundo girava. Era tarde. Daqui a pouco anoiteceria.
Assim, continuara a olhar as águas turvas, que então não mais refletiam o verde ao redor. Havia ondas. Desta vez fulgazes e ferozes. Seria esse o movimento do amor? Sentimento arrebatador que um dia acabava? Chegava sem pedir licença e sem deixar rastro, desaparecia como aquelas ondas que primeiro vieram. Mas deixava sua marca, essa sim, indelével na alma de quem um dia o sentira forte.
Mais uma vez, agora com o vento forte que soprava e levava as folhas, varrendo o caminho, fechara os olhos e em um suspiro pensara ser este então um modo de vida. Recebíamos mensagens trazidas pelo vento. Ficaríamos com aquelas desejadas naquele momento. Um dia perceberíamos que embora tenham sido a melhor escolha, tudo permanecia ainda fora do lugar.
Olhara-se então no espelho que tirou da bolsa. Vira as marcas do tempo em seu rosto. Cada mudança pela qual passara nos últimos anos, e o sorriso denunciava a certeza de que não importavam o acertos ou os erros das escolhas, mas sim, ter tido a chance fazê-las.
Levantara-se para seguir adiante. Caminhando lentamente via por entre as árvores as flores que despontavam. Vermelhas, amarelas, alaranjadas, tons vivos que a lembravam da vida que pulsava nas batidas descompassadas de seu coração.
Ao olhar o céu, o sol permanecia encoberto. Em mais uma pausa, fitou-o e pensou: as nuvens que ali estavam encobriam a beleza celeste. Seria o movimento da incerteza? Como saber se o que estava vendo duraria para sempre? A resposta, não encontrara. Só lhe restava esperar.

Cyntia S.