quarta-feira, 16 de maio de 2007

'Seu Nilton' 8.2

Hoje 'Seu' Nilton completa 82 anos. Esse é o cara que gostaria de ter visto jogar. Quando eu nasci ele já era 2 vezes campeão do mundo, dava passes e conselhos para Pelé...

Compartilho aqui uma historinha envolvendo meu vizinho ilustre. Quando o Maracanã completou 52 anos, estava na moda o 'Estatuto do Torcedor'. Como era sócia do (!?) Flamengo, fui convidada a participar de várias palestras no estádio para discutir as 'belezas' das leis que passariam a vigorar nos estádios brasileiros. Em uma dessas palestras estava ele lá. Nossa, quando eu o vi, a primeira coisa que fiz foi ligar para meu pai. Comecei a chorar no telefone. Estava diante dele: Nilton Santos, a enciclopédia do futebol. Tamanha emoção, eu falei com todo mundo, menos com ele.

No ano retrasado, caminhando pela Praia do Flamengo, achei ter passado por uma pessoa igual a ele. Deixei passar, a coisa ficou adormecida. Conversando com Zé, o fiel jornaleiro aqui da rua, ele disse 'Devia ser ele. Ele mora ali' ... apontando para o prédio e 'vem comprar o Lance! todo dia aqui na banca'. Ah, minha porção tiete suplicou a ele, 'quando ele passar aqui, me chama'. Eu venho correndo...

Eis que posteriormente em outras caminhadas, passei por ele e tive a certeza, não era alucinação. E cadê a coragem de chegar perto? Eu olhava, admirava. Nilton Santos andando devagar, dando comida para os passarinhos, de vez enquando alguém ia falar com ele... Mas nada nesse mundo me fazia ir em sua direção. Timidez, vergonha, medo...Ô medo! Aí um dia, sem pensar, eu fui e falei. Paguei mico, mas eu falei com ele. Nem tirei os óculos escuros, mas ele percebeu que estava emocionada. Minha mão tremia. Segurei sua mão e disse tudo o que achava. Sem parar, uma metralhadora giratória verbal. Muito simpático, ele agradeceu os elogios e os parabéns. O Botafogo tinha sido campeão no dia anterior!

Desde então quando caminho, algumas vezes eu o encontro pelo gramado do parque e fico feliz que ele se lembra da mocinha jovem que sempre sorri para ele. E que adora perguntar as coisas do tempo da vovó. "Bom dia 'seu' Nilton, Parabéns!"