segunda-feira, 27 de agosto de 2007

'Psicologia de um Vencido' recomenda...

... Para quem se interessa em ler um outro ponto de vista sobre o futebol, o livro escrito pelo historiador Hilário Franco Jr., ' A Dança dos Deuses', parece cair como uma luva.

Em recente entrevista ao caderno 'Mais!' da Folha de São Paulo, o autor explica a sua motivação em estudar um esporte, que de tão ligado à cultura nacional, se transformou na sua genuína forma de expressão dentro e fora de campo. Uma cópia fiel e irrepreensível da sociedade brasileira, se pensarmos nacionalmente , e mundial, se pensarmos no mundo globalizado.

Para ele, o futebol nunca fora tratado fora de seu conceito meramente esportivo. Nesse sentido, inúmeros são os trabalhos realizados, trazendo quase a uma exaustão de discussões intermináveis sobre esquemas táticos e como se formar equipes vencedoras que acabam por 'anestesiar a capacidade de análise sobre ele'. Em suas palavras, ele segue: 'Ficamos tão enredados em discussões sobre detalhes de uma partida, e não sobre o significado do jogo. Ídolos têm sua história destrinchada em páginas e mais páginas, debates em programas de tv e rádio e a leitura de jornais e mais revistas especializadas. Entretanto, o esporte enquanto fenômeno em suas palavras 'sociológico, antropológico, religioso, psicológio e lingüístico' nunca fora objeto de pesquisa, bem como a sua influência na formação da mentalidade de um povo. Leitura imperdível.

Eis a sinospe do referido trabalho:

"A dança dos deuses" está dividido em duas partes, uma histórica e outra de viés analítico. Do ponto de vista histórico, o autor mostra como o futebol não pode ser dissociado da história geral das civilizações. Exemplo eloqüente encontra-se na lógica da sua propagação e rejeição, a partir da Inglaterra, tendo sido bem aceito nos países que sofriam forte influência cultural inglesa, mas nunca devidamente incorporado em países que constituíram o império, como Austrália e Canadá. A própria evolução das regras e das táticas do esporte responderam, é fato, a necessidades específicas do jogo, mas também só podem ser entendidas em contextos de adaptação do futebol às mudanças no mundo.
Na segunda parte, Franco Júnior procura investigar o esporte como metáfora sociológica, antropológica, religiosa, psicológica e lingüística. Somos levados a pensar, por exemplo, sobre os diferentes usos políticos do futebol, seja por regimes autoritários ou democráticos, tanto uns quanto outros sempre abraçados ao nacionalismo. O autor nos convida a refletir sobre os sentidos ocultos em toda a ritualização do mundo esportivo, nos nomes dos times, nas cores das camisas, nos escudos, e ainda recorre a Freud para examinar a fascinação que o esporte exerce. Com erudição, mas em linguagem acessível, Hilário Franco Júnior leva ao limite, neste estudo, a idéia de que o futebol é uma imitação de vida.

Fonte: Saraiva.com.br