terça-feira, 20 de novembro de 2007

Sua função é não ter função

Conforme havia prometido, passei um bom período em busca da crônica do Tostão em que ele fala do argentino Riquelme. Posto aqui, retirado do site do Jornal O Povo de 23/06/07:

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Para se formar um bom time, como o Boca, é necessário unir, na dose certa, a garra, a marcação, a disciplina tática e o equilíbrio emocional com a improvisação e o talento individual. Com raras exceções, os craques só brilham em equipes organizadas. Já bons conjuntos sem craques é uma chatice, mesmo quando vencem. Riquelme, um jogador especial, contraria tudo que os apaixonados pelo tecnicismo dizem do "craque moderno". Ele não tem nada a ver com Elano. Riquelme não é veloz, não corre 15 quilômetros por jogo, não marca, tem um estilo clássico e bonito e ainda, uma cara triste. O técnico do Boca e os seus companheiros sabem que vale a pena deixá-lo livre, só para jogar futebol.A função do Riquelme é não ter função. Riquelme trata a bola com tanto carinho, que ela, apaixonada e agradecida, com a humildade de um cão, procura o craque todo o campo para beijar os seus pés. Algumas vezes, uma ótima equipe se forma em pouco tempo, com nenhuma, pouca ou muita participação do treinador. As peças se encaixam, dizem uns. Outros falam em química entre os atletas. Diria ainda que as características técnicas e físicas dos jogadores se completam.

Os bons técnicos são os que definem com clareza e com detalhes o que querem dos jogadores, mesmo se não for a melhor opção. Pior é deixar dúvidas. Na Copa de 2002, Felipão só pôde escalar juntos Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho próximo da Copa. Por causa das instruções claras do técnico - vi isso durante os treinos na Coréia - Ronaldo atuava pelo meio e Ronaldinho e Rivaldo se movimentavam por todo o ataque e trocavam de posição. Enquanto um estava pelo lado, o outro jogava pelo meio e próximo do Ronaldo, que nunca estava isolado, como ocorre hoje com Wagner Love.


Tostão
A bola e Riquelme: um caso de amor sem fronteiras