domingo, 29 de junho de 2008

Na terra da Valsa se dançou o Bolero de Ravel

Viena, 29 de junho de 2008. Estádio Ernst-Happel, palco do último 'Concerto Europeu de Verão'

'Após 30 jogos de tirar o fôlego, era apenas uma questão de esperar pelo inesperado. Só que desta vez não teve virada espetacular, nem um gol nos últimos minutos.' A Espanha esperou 44 anos para colocar as mãos no seu segundo troféu continental. E foi aos 33 minutos, numa jogada de Fernando Torres (foto), que os Deuses do futebol deram seu último sopro na competição européia de seleções. A melhor seleção venceu. O time mais ensaiado, de futebol mais sintonizado com a escola ofensiva e com jogadores bem afinados. La Furia Española encantou os amantes do bom futebol e parece ter deixado de lado aquele tabu que a acompanha nos últimos anos: o de levantar platéias ao redor do mundo e desafinar ao longo da temporada de concertos.

Políticos de Espanha e Alemanha se congratulavam e trocavam idéias durante a apresentação das equipes. Nessas horas, difícil é separar um humilde espectador/torcedor de um chefe de estado. Ambos vibraram, torceram calorosamente ou aplaudiram seus conterrâneos a cada final de ato.

Em campo, lá no centro, de onde surgiam as mais belas canções, o confronto de dois maestros distintos. A frieza do alemão Löw, incorporando o espírito de Beethoven em seus acessos de fúria, só que um pouco mais contidas, durante os 90 minutos. Do outro, a experiência de Aragonés, estilo clássico de compositor. Poderia ser passional como um basco. Discreto como um francês. Como ele, Maurice Ravel, o compositor do Bolero, sua obra mais famosa.

Os músicos pareciam estar a vontade no meio de tamanha multidão. A juventude espanhola não atrapalhou o conjunto. A experiência alemã não resistiu à criatividade e improviso daqueles que souberam envolver o adversário em uma dança que começou em ritimo lento, e que aos poucos foi aumentando, culminando com o grand finale do solista Fernando Torres. Foi dele o último acorde do 'Bolero'. E a Casillas (foto), o spalla perfeito que qualquer maestro gostaria de ter em seu grupo, coube o papel de levantar o tão cobiçado troféu de campeón.

E assim, Viena acordou ao som da valsa Danúbio Azul e foi dormir ao som do Bolero. Uma combinação que pode não ser das mais interessantes estando assim no papel, mas que soaria como música para os ouvidos do mais desinteressado torcedor...

Até a próxima Euro!


Fotos do post: Gazzetta.it

Uma promessa

Dizem que não é você quem escolhe o clube, mas é o clube que te escolhe. Aos cinco anos, o Vasco me escolheu. Aprendi a amar o clube. Paixão transmitida pelo meu pai. Deixei o Vasco. Desiludida com um presidente que por anos furtou do Vasco o direito de ser um time que ultrapassasse as fronteiras dos seus mandos e desmandos. No início, eram apenas desculpas: Eurico ama o Vasco e por isso faz o que faz. Ele só está ali para defender os interesses do clube. Com ele o Vasco venceu títulos no Brasileiro e chegou à Libertadores, sagrando-se campeão. Foi só. Daí para frente, o clube desandou. Nem entro aqui nos méritos de tudo o que aconteceu nos 40 anos de Eurico Miranda no Clube de Regatas Vasco da Gama. A reportagem do Lancenet que deixo como link, já diz tudo.

O Vasco se tornou um time com dono. Dono que, de posse de 'seus direitos', ousou um dia expulsar das tribunas o maior nome da história do clube, Roberto Dinamite. Trouxe para o clube jogadores que mais estavam preocupados em defender suas causas pessoais do que propriamente defender o clube. Homenageou aqueles de sua banda, a podre, que por anos usouo clube como trampolim de seus interesses. Fez estátua para um, renegou outros tantos. Trouxe de sua família, mais um membro para perpetuar-se no poder. Para quê? Para ter seu nome eternamente gravado nas salas que um dia julgou ser de sua propriedade.

Respeito a opinião daqueles que o defendem, mas hoje, domingo, é o meu primeiro dia de torcedora do Vasco novamente. Eu estou feliz e emocionada por ver que aquele mesmo homem que fora expulso das tribunas um dia, voltou, e pela porta da frente para comandar por 3 anos o Clube de Regatas Vasco da Gama. E o outro, que se julgava o senhor feudal de São Januário, melancolicamente sai pela porta dos fundos. E não deixará saudades...

Bem vindo Roberto Dinamite. Que você faça jus a toda a história que tem com o clube.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Mensagem

“Um minuto serve para você sorrir: Sorrir para o outro, para você e para a vida. Um minuto serve para você ver o caminho, olhar a flor, sentir o cheiro da flor, sentir a grama molhada, notar a transparência da água. Basta um minuto para você avaliar a imensidão do infinito, mesmo sem poder entendê-lo. Em um minuto apenas você ouve o som dos pássaros que não voltam mais. Um minuto serve para você ouvir o silêncio, ou começar uma canção. É num minuto que você dará o sim que modificará sua vida..., e basta. Basta um minuto para você apertar a mão de alguém e conquistar um novo amigo. Em um minuto você pode sentir a responsabilidade pesar em seus ombros: a tristeza da derrota, a amargura da incerteza, o gelo da solidão, a ansiedade da espera, a marca da decepção e a alegria da vitória...

Quantas vitórias se decidem num simples momento, num simples minuto! Num minuto você pode amar, buscar, compartilhar, perdoar, esperar, crer, vencer e ser... Num simples minuto você pode salvar a sua vida... Num pequeno minuto você pode incentivar alguém ou desanimá-lo!
Basta um minuto para você recomeçar a reconstrução de um lar ou de uma vida. Basta um minuto de atenção para você fazer feliz um filho, um aluno, um professor, seu semelhante... Basta um minuto para você entender que a eternidade é feita de minutos.”

Il Giorno Dell'Addio!

Agora é oficial. Donadoni não é mais o treinador da Seleção Italiana. Após as exibições desastrosas da equipe na última Eurocopa, a Federação Italiana de Futebol esonera o treinador faazendo uso de uma cláusula em seu contrato em que o treinador poderia ser destituído do cargo até 10 dias após o término da participação da delegação italiana na competição.
Eu, às vezes maldosamente me pergunto: Donadoni chegoua ser treinador da Azzurra alguma vez? Minha mente perversa e maliciosa responde que não. Os pormenores até já sabemos e já repetimos aqui tantas vezes. Vamos agora deixá-lo em paz.
Que a Sampdoria nunca, mas nunca mesmo pense em tê-lo no comando do time um dia.
Ciao, Roberto!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Una Emozione Per Sempre: Manaus 92

Não foi a primeira vez que havia viajado para Manaus. Sua paixão e curiosidade por aviões deve ter começado já no fim da década de 70, quando entrou dentro de um pela primeira vez, aos 3 anos de idade. Estava com sua mãe e seu pai. As fotos que tiraram dentro da aeronave já mostravam, através do olhar assustado da menina, que aquele ambiente, por mais que não fosse familiar, causava nela alguma espécie de fascínio.
Essa menina era eu. Hoje, três décadas depois dessa experiência, resolvi escrever um pouco sobre as viagens que fiz ao longo de minha vida. Não foram muitas. Para cada uma delas, uma lembrança. Uma foto ou um bilhete. Um pequeno saco, com um valor inestimável em que guardo registros dos lugares por onde passei. E que a partir de hoje, compartilho com vocês.

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Manaus - julho de 1992

O mais inusitado nessa viagem foi que na primeira semana em que chegamos, o Vasco da Gama viajaria para disputar uma partida da Copa do Brasil contra o Nacional, time local. Alguém soube dos vascaínos que viviam lá em casa, eu incluída, e sugeriram que fôssemos ao estádio acompanhar a partida.

A partida aconteceria dia 28 de julho à noite, no Estádio Vivaldo Lima, conhecido como Vivaldão. Como um passeio de família, iriam 3 dos meus tios, minha mãe, uma penca de primos e eu. Antes, à tarde, fui conhecer uma parte da Zona Franca de Manaus e convencer a mãe de me comprar algumas coisas, dentre elas um pôster do Metallica que havia visto em uma loja e algumas daquelas canetas coloridas, cheirosas e brilhantes que serviam para enfeitar os cadernos da escola.

Estávamos assim, numa loja de cama, mesa e banho. De repente, vi dois homens com camisas do Vasco da Gama. Alguns segundos depois, percebi que um deles se parecia com o Luisinho Quintanilha, eterno volante raçudo que também gostava de distribuir uns pontapés nos adversários. Ele havia acabado de assinar com o time depois de uma longa carreira no Botafogo. Cheguei perto de onde minha mãe estava e comentei com ela que achava que era um jogador do Vasco. Óbvio que ela me incentivou a ir falar com ele, mas a timidez não me deixou.

A corajosa e destemida D.Sofia foi em direção a Luisinho e perguntou o nome dele. Ao ouvir a resposta afirmativa, perguntou se ele tinha certeza disso e ele, numa risadinha disse a ela: 'Claro. Luisinho, jogador do Vasco da Gama, muito prazer.' Eu, meio que afastada ouvi esse interessante diálogo. Mas não ficou só nisso. Mamma me chamou:

- É ele mesmo minha filha. Venha cá falar com ele!
Vermelha de vergonha, me aproximei e minha mãe fez as devidas apresentações:

- Essa é minha filha, Cyntia. Vascaína doente como o pai. Reconheceu você, só que é muito envergonhada. Você poderia dar um autógrafo para ela?
- Claro, dona Sofia. Uma folha, por favor...

Ele assinou o papel e educadamente me cumprimentou com um abraço e ainda por cima apresentou seu companheiro de clube, que mais tarde seria um dos vascaínos mais comentados dessa geração campeã carioca, o zagueiro Jorge Luís. Ele também assinou o papel. Depois, sorridentes, me perguntaram se iríamos ao estádio uma vez que nesse momento já sabiam da saga da família Santana. Mãe e filha passando férias em Manaus, o pai trabalhando e uma penca de primos e tios torcedores do Flamengo. Todos, menos eu, iriam ao estádio torcer para o 'Grande Nacional'!

Saímos juntos da loja. Em seguida, nos despedimos e cada um foi para seu lado. Meus olhos brilhavam. Meu coração batia forte de alegria. Foi algo inusitado. Daquelas coisas que só acontecem comigo, principalmente quando estou longe de casa...

À noite, fomos para o estádio e fizemos um verdadeiro piquenique nas arquibancadas. Laranjas descascadas, churrasco, hamburguers e muita animação. O jogo terminou empatado em 1 a 1, mas o resultado era o que menos me importava. Já tinha ganhado um pequeno trofeú bem antes, naquela tarde. A chance de falar alguns segundos com um ídolo do meu time de coração.

O autógrafo de Luisinho se perdeu ao longo do caminho, mas o ingresso do jogo, conservo comigo. Una Emozione Per Sempre!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Eu caí da escada

Era dia 9 de julho de 1994, estava de férias da faculdade em casa e acompanhava os jogos da Copa de 94 que aconteciam nos Estados Unidos. Vivia entusiasmada por um tal de Roberto Baggio, cujo rosto já conhecia desde a copa anterior. O futebol, não. Esse descobri ao longo do torneio e cada vez mais o achava um quase Da Vinci da bola. E com o par de olhos mais belos que já havia visto nos meus parcos 18 anos de vida.

Nas oitvas-de-final, Itália e Espanha se enfrentariam. Aguardava ansiosa o início do jogo. Não havia ninguém em casa. Acredito que meus pais tinham saído para fazer a feira da semana. Nessa época, minha mãe tinha uma pequena loja de presentes que ficava no segundo andar e eu a ajudava quando ela precisava. Se alguém surgisse, lá estava eu para atender e para a alegria de Mamma Sofia, vender.

Por várias vezes me lembro de estar vendo um filme legal ou conversando com alguém no telefone e a camapinha tocava. Com esse jogo não poderia ser diferente. Só que algo mais inusitado ainda ocorreu.

É preciso dizer que usava um dos meus sapatos prediletos. A campainha tocou. Fui atender e vi que se tratava de uma das freguesas mais cativas de minha mãe. Nessa hora, imaginei que meu jogo já tinha ido para as cucuias. E a moça gosta de um papo, como eu, mas não quando se quer ver um jogo e a pessoa fala sem parar...

Para meu alívio, uma meia hora depois, a moça se foi. E eu ainda tinha que retornar e organizar as coisas. Consegui saber que o jogo estava empatado, e ficava com aquele nó no estômago de nervoso.

Arrumava as coisas quando ouvi o cara da TV gritar goooolllllllllll e ao mesmo tempo, a campainha tocou. Saí correndo como louca, sem saber se iria atender a porta, ou ver o gol do Baggio. Nem poderia, ao passar pelo primeiro degrau, um barulho preencheu o silêncio da casa, só ameaçado pelo volume da TV. O sapato predileto escorregava. Fui rolando escada a baixo e só parei no primeiro degrau. Fiquei quieta, parada, encolhida. E comecei a rir, mais de nervoso do que de graça. A campainha continuava a tocar e eu não tive coragem de atender. Levantei depois de alguns minutos, e vi que a pessoa permanecia no portão, e eu a espiava por detrás da janela.

Dias depois, a pessoa que tinha ido lá em casa, comentou com minha mãe que havia estado lá, e não havia ninguém em casa, mesmo as janelas estando abertas. Minha mãe me olhou com aquele olhar que só filhos entendem quando os pais estão furiosos. Na cara-de-pau, disse, 'estava vendo o gol do Roberto Baggio. Não deu, mamma. Quando voltei, ela já tinha ido embora!'

A Itália se classificou para a semi-final. Teve aquele lance do Luis Enrique com o Tassoti. O gol salvador de Baggio. Meu tombo de escada. Assim 'assisti' as quartas-de-final dessa copa! Inesquecível.

Bem, Aqui onde moro não tem escada para descer, mas há o temido elevador. Acho que nem vou sair de casa no domingo. E vou bater na madeira umas 10 vezes depois de escrever esse post.
Uma lição aprendi: saí ilesa desse tombo e nunca, nunca mais desci uma escada correndo. Aprendi tarde... Mas que foi engraçado, isso foi.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Lady em Francês

Ah! Não é todo dia que se pode comemorar uma vitória da Itália sobre a França. Foi um dia mais do que alegre. Estava de muito bom humor, apesar da apreensão e das lembranças da Euro 2000, em que a Itália perdeu o título para a própria França, no pés de Trezeguet, aquele mui amigo...

Bem, confesso que na verdade não acreditava numa vitória italiana, mas não é que a Itália tem a capacidade de surpreender mesmo, ainda mais quando tudo parece perdido. Ainda vou ver o jogo, mas para variar, o treinador francês e promesso esposo, Mandrake Domenech colocou a culpa no ábitro.

Agora, cabe ao Donadoni, pseudo treinador da Azzurra, ficar com os pezinhos bem no chão e não se empolgar muito. Nada de dizer que a Itália pode vencer qualquer um, até porque isso é uma mentira digna de Pinocchio. Ele que já tem um nariz comprido... É bom ficar de olho...

Então, ocorreu-me o seguinte diálogo:

- Comment ça va?
- Je vais bien, merci!
- Quelles sont les nouvelles?
- Vive l' Italie!! Je t'aime France...
- Au revoir

hahahaha

Que venha a 'Fúria Espanhola' com todos os seus Torre's, Fábregas's, Xavi's, Inniesta's, Villa's e Casillas's.

E vamos a bailar España!!

sábado, 14 de junho de 2008

'Cuore Blucerchiato' com tempero 'Bolognese'

Na tarde de hoje, Sergio Volpi foi apresentado oficialmente como jogador do Bologna, clube que acaba de retornar à Serie A.
Conhecido por ser uma pessoa de poucas palavras, a entrevista dada por ele ao site oficial do clube bolonhês, não deixa dúvidas sobre sua grandeza humana e esportiva.

Preferiu deixar de lado as polêmicas com o seu ex-treinador de Sampdoria, Mazzarri, admitindo que ele também errou ao confrontá-lo inúmeras vezes nos meses turbulentos de 2007.

Disse que teria escolhido o Bologna mesmo se o clube estivesse militando na Serie B, por se tratar de um clube cujos objetivos são claramente o retorno e a permanência na Serie A. Além disso, reconhece que precisava encontrar um novo estímulo pois ainda se considerava um atleta do futebol que ainda quer continuar na ativa.

Assim, aos 34 anos, Sergio recomeça mais uma vez. Assim como o Bolgona, e quem sabe já nesta volta à massima serie uma bela sorpresa para seus torcedores.

Para Sergio Volpi e o Bologna FC: in bocca al lupo!


Foto do post: BolognaFC.it

sexta-feira, 13 de junho de 2008

E Viva La Vida!!



I used to rule the world
Seas would rise when I gave the word
Now in the morning I sweep alone
Sweep the streets I used to own
I used to roll the dice
Feel the fear in my enemy's eyes
Listen as the crowd would sing:
"Now the old king is dead! Long live the king!"
One minute I held the key
Next the walls were closed on me
And I discovered that my castles stand
Upon pillars of salt, pillars of sand.

I hear Jerusalem bells are ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can not explain
Once you go there was never, never an honest word
That was when I ruled the world

It was the wicked and wild wind
Blew down the doors to let me in.
Shattered windows and the sound of drums
People could not believe what I'd become
Revolutionaries Wait
For my head on a silver plate
Just a puppet on a lonely string
Oh who would ever want to be king?

I hear Jerusalem bells are ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can not explain
I know Saint Peter will call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world

Você quer ouvir Coldplay?

Tenho uma simpatia natural por bandas inglesas, pois me identifico com o rock inglês. Um rock melódico, cheio de metáforas. Algumas músicas chegam a ser melancólicas, mas nesse meio todo, encontrei algumas exceções. Coldplay foi uma delas e a que me marcou mais. Hoje, chegou ao Brasil o quarto álbum da banda 'Viva la Vida'. Mesmo sem tê-lo ouvido por inteiro, já imaginava que o trabalho seria como uma ode à vida. Celebração à amizade. Mas como só a banda sabe fazer, há nesse título uma contradição: Death and all his friends...

Desde o início, vejo que os singles escolhidos para os lançamentos de seus álbus são músicas que têm mais ou menos o mesmo estilo. Como a própria banda tem o seu estilo. Ela difere de todas as outras. São músicos talentosos, parecem pessoas bem normais, sem afetações e fazem música boa para nossos ouvidos. Pelo menos para os meus, os refrões que eles produzem são muito bem-vindos.

Já no primeiro álbum deles, 'Parachutes', a música que emplacou nas paradas foi 'Yellow'. Ela entra na minha lista das preferidas por dois motivos: o primeiro é porque ela é uma música gostosa de se ouvir. Segundo porque tem uma letra que inspirava quando olhava as poucas estrelas brilhando no céu de uma cidade tão poluída como o Rio de Janeiro. Ela fala de doação ao amor e de pensar que existe alguém nesse mundo que pode te inspirar em muitos sentidos.

'Look at the stars,
Look how they shine for you,
And all the things that you do...'

Depois, ouvir 'Everything's Not Lost'. Se você acha que tudo na sua vida está perdido. Esqueça. Escute essa música é nela você terá a energia que precisa para continuar na luta. Seria um hino para a Squadra Azzurra nessa Euro 2008. Apesar de que no caso do time de futebol, a coisa está mais para perdida do que encontrada ou próxima de uma solução.

'When you thought that it was over,
You could feel it all around,
And everybody's out to get you,
Don't you let it drag you down.

Cos if you ever feel neglected,
And if you think that all is lost,
I'll be counting up my demons, yeah.
Hoping everything's not lost...'

No álbum seguinte, 'A Rush of Blood to the Head', a banda atinge um ápice criativo que produz músicas com aquele ritimo inglês meio down e ao mesmo tempo com uma letra poderosa, como é o caso da música título. Uma balada que alterna um monólgo de uma história contada, com incursões de guitarra e bateria que a fazem seguir um outro ritmo no final.

Nesse mesmo cd, há a música 'Clocks', plena de piano, imitando o tic-tac do relógio. Foi a música que mais foi ouvida nas rádios. A que fez parte de todo e qualquer set-list da banda e que fez muita gente dançar na frente da tv ao ver o 'Top TVZ do Multishow'.

Se Queen fez sua rapsódia musical com 'Bohemian Rapsody', Coldplay tem a sua com a música 'Amsterdam'. Talvez por ser uma música longa, não foi escolhida como faixa para rádios. Ainda bem. Iam estragá-la se fosse cortada. Um dia ainda entenderei o porquê da escolha do nome 'Amsterdam'. Ela não fala da cidade, mas de alguém que parece estar enfrentando uma situação difícil e se vê com uma corda no pescoço de cabeça para baixo, sem forças, quase se rendendo, mesmo assim, parece pedir socorro para quem a escutar. Pode ser uma viagem minha, mas que a música é fantástica isso é. Já até imaginei uma história para ela. Mas isso fica para outro dia, ou outro post...


Chegando ao 'X & Y', a equação matemática, ou os cromossomas X e Y que identificam macho e fêmea, a banda caminha por mares menos radiofônicos e embarca em uma viagem mais pessoal. Mais uma vez, a música escolhida para single foi 'Speed of Soud', com paino e batida marcantes. Dançante. Alegre. Alto astral. Coldplay mostra que para ser roqueiro da terra da rainha você não precisa falar de suicído, tristeza e nem ser melancólico. A canção mais surpreendente para mim acabou sendo a que eu apelidei de 'enigma'. Tal qual uma equação e suas variáveis, tal qual o que há de homem e mulher nos seres humanos, tal qual o mistério contido no que é X e Y, um homem e uma mulher apaixonados cuja identidade permanece desconhecida.

'You and me are floating
On a tidal wave together

You and me are drifting

Into outer space and singing...'


O que era para ser um pequeno post, acabou virando um pequeno tratado. Não quero aqui encontrar uma definição para Coldpaly que se encaixe em alguma enciclopédia musical. Seria impossível definí-los. Só mesmo quem curte sabe o que estou querendo dizer. Tomara que o Brasil faça parte do mapa da turnê da banda. Dessa vez, não os deixarei passar em branco.

Como não pode passar em branco a origem do nome Coldplay. Inspirado em uma coletânea de poemas de Phillip Horky (Child Reflection's Cold Play), um poeta californiano, cujos poemas têm como característica a não-obediência estilística e estrutural. Combinando o surreal com o real provocando ambiguidades. Taí a criatura que tenta imitar o criador.

E Viva La Vida!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Adeus, Capitano!

Sergio Volpi de Orzinuovi, Brescia, deixa a Sampdoria depois de 6 anos defendendo as cores do time da capital da Liguria.

'Il capitano' será uma daquelas pessoas cuja lembrança permanecerá viva na memória dos torcedores blucerchiati seja pela sua marcante presença em campo, seja pela sua presença nas fotos que registram momentos importantes da equipe nesses últimos anos. Da volta à Serie A à presença na UEFA.

Dizem por aí que os jogadores símbolos não existem mais. Na verdade, é preciso considerar que alguns jogadores vão e outros ficam. Ficam pelo carisma, caráter, capacidade, força e símbolo. Volpi fez parte de uma época histórica da Sampdoria e representa tudo isso. Depois de alguns anos amargando a Serie B, sua mudança para Gênova coincidiu com a promoção do time para a Serie A já no seu primeiro ano de clube. Foi um dos primeiros jogadores a serem contratados pelo então recém empossado Riccardo Garrone. E junto com Flachi e Bazzani ajudou o time na escalada rumo à massima Serie, bem como na sua permanência ali.

Herdou, depois de alguns meses, a braçadeira de capitão que pertencia a Flachi. Honrou a camisa número 4. Com ela realizou grandes partidas, marcou gols importantes e conquistou uma torcida calorosa e apaixonada, que na últma partida contra a Juventus, dedicou a ele uma faixa: 'Capitão: existe apenas um capitão!'

Minha história de paixão pela Samp começa com Volpi. Acompanhei um período da carreira dele pré-Samp. Sofri com o gol marcado na última rodada da temporada 00-01, que acabou decretando o rebaixamento do Verona para a Serie B. Jamais o esqueci nesses anos todos. Ao vê-lo partir para a Samp ao final daquela temporada, não tive dúvidas, se fosse torcer por um time na Serie A, seria a Sampdoria!

Anos se passaram e aprendi a gostar do time. A torcer freneticamente aos dimingos. Vibrar com cada gol, cada lance bonito nas poucas vezes que via a equipe ao vivo na TV. Volpi e Sampdoria passaram a ser um só na minha cabeça. Hoje, ambos seguem caminhos opostos. Onde Capitano for, lá estarei. Mas dessa vez acompanhando de longe. Torcendo pelo seu sucesso. A Sampdoria é muito bela para ser abandonada. Volpi é um daqueles jogadores que no futuro você se lembra com carinho e pensa: o vi jogar, se doar em campo. Um dia vibrei e me emocionei por vê-lo marcar um belo gol contra a Roma. Era como se estivesse no estádio.

Percebia que seus dias de Samp estavam chegando ao fim. O banco de reservas não parecia ser o melhor local para um símbolo como ele. Mesmo assim, ele aceitou e esperou o momento certo para decidir seguir em frente. Sem jamais polemizar com seu Mister. Como a Serie A é palco para grandes jogadores, nela ele permanece, onde defenderá as cores do Bologna.

Auguri!


Texto adaptado do site Sampdoria.it

domingo, 8 de junho de 2008

Campioni d'Italia

Primeito a Coppa Italia, agora o Scudetto: reedição da final do ano passado, mas dessa vez, com novo placar e novo vencedor. Assim, a Sampdoria vence a Inter pelo placar de 3 a 2 numa partida muito vibrante e disputada e conquista, pela primeira vez na sua história, o campeonato da Primavera.

Dessa vez não teve Balotelli que segurasse o talento dos meninos treinados por Fulvio Pea. Curioso é que os 4 primeiros gols da partida foram marcados com a diferença de 4 minutos entre eles. Foi a partida do empata, desempata e no fim, os blucerchiati saíram vitoriosos.

A partida:

INTER-SAMPDORIA 2-3

Gols: 28' pt Pedrelli, 32' pt Poli, 15' st Koman, 19' st Balotelli (pen.), 37' st Mustacchio

INTER (4-3-3): Belec; Santon, D.Esposito, Federici, Fatic; Gerbo, Bolzoni, Pedrelli (39' st Napoli); Balotelli, Ribas, Siligardi (20' st Obi).
Banco: Tornaghi, Filippini, Caldirola, Litteri, Destro, Khrin, Litteri.
Treinador: Vincenzo Esposito.


SAMPDORIA (3-4-2-1): Fiorillo; Lanzoni, Rossigni, Sembroni; Eramo, Poli, Signori, Bianco; Koman 23' st Mustacchio), Marilungo; Scappini (42' st N. Ferrari).
Banco: Negretti, Fondaco, Calzolaio, Cuccinello, G. Ferrari.
Treinador: Fulvio Pea.

Arbitro: Gambini di Roma.

Cartões amarelos: Poli, Balotelli, Gerbo, Bolzoni.


Foto post: gazzetta.it

O que não tem remédio, remediado está

Ver a final de Roland Garros hoje foi um daqueles momentos para não se esquecer. Em campo pela enésima vez, Rafa Nadal contra Roger Federer.

Quando esses dois tenistas se enfrentam há a certeza de uma grande partida. Só que essa máxima hoje foi totalmente colocada ao avesso. Parece que FeDex nem entrou em quadra. Tamanha foi a superioridade de seu rival espanhol e a ausência de qualquer jogo que pudesse ao menos tentar intimidar o rapaz, que hoje é campeão desse Slam pela quarta vez.

Se olharmos o retrospecto de Nadal nesta edição de Rolad Garros, o espanhol não perdeu um set sequer dos 21 disputados e ainda por cima só perdeu 29 míseros games. Com Roger, a história não foi diferente. O placar do confronto de hoje deixa claro que o apelido dado a Rafa de 'Rei do Saibro' não é um mero acaso. Primeiro set 6-1, segundo 6-3 e o terceiro de pneu, 6-0. Claro resultado de uma performance fenomenal neste piso, considerado um desafio para grandes tenistas - Sampras se aposentou como um dos melhores de todos os tempos sem nunca vencer o Slam francês.

Aos 22 anos, Nadal supera os tricampeões Guga, Lendl e Wilander e iguala o mito Bjorn Borg com 4 vitórias no saibro. Somente dois tenistas não-espanhóis venceram Rolad Garros no século XXI, Gustavo Kuerten em 2001 e o argentino Gillermo Coria em 2004. A 'Armada Espanhola' que havia sofrido a perda de um de seus representantes mais guerreiros, Corretja, no ano passado, tem ainda muitos frutos para colher no futuro.

Congratulaciones, campeón!


Foto do post: Lancenet.com.br

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Por fin, Maná llegó!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Si va in finale!

Como no ano passado, Sampdoria e Internazionale se enfrentarão pela final do Campeonato de Primavera.
Ontem, a Inter de Mario Balotelli despachou a Udinese por 2 a 1, enquanto que a Samp despachou a Fiorentina pelo mesmo placar na tarde de hoje.
A disputa do scudetto acontecerá neste domingo às 4 da tarde, horário italiano.
Quem sabe desta vez os dorianos não possam sorrir e conquistar o tão sonhado e merecido prêmio?
Forza ragazzi!

A Euro 2008!

Daqui a uns dias a competição européia de seleções começará nos gramados da Suíça e Áustria. Dois países fascinantes muito pelas riquezas culturais e belas paisagens e menos pelo futebol neles praticado.

Como diriam alguns comentaristas esportivos, 'a Eurocopa é uma Copa do Mundo sem Argentina e Brasil.' A razão de ser do comentário é que normalmente na competição, equipes de tradição estão presentes, fazendo dela um atrativo para aqueles que curtem futebol. Lógico que alguns times teimam em desafiar essa lógica, como é o caso da Inglaterra nessa ano. Mas eles ainda não tinham Capello.

Não é tarefa fácil apontar favoritos. Por se tratar de uma competição curta, os times mais bem preparados tendem a ter resultados mais satisfatórios do que aqueles cujos treinadores permanecem indefinidos quanto a esquemas táticos e jogadores a serem empregados. Sem contar que uma série de contratempos podem surgir. Contusões que geram cortes inesperados. Jogadores cansados pela frenética temporada recém acabada. Outros, mais preocupados com seus multimilionários contratos, do que propriamente focados no torneio. Mesmo assim, A Euro é a Euro.

Vejamos algumas equipes...

Uma eterna promessa ou a redenção?
Na última edição, realizada em Portugal, o time da casa chegou ao vice-campeonato perdendo a final para uma Grécia quase desconhecida. Foi um vendaval que causou estragos, mas que depois desapareceu em direção às Ilhas Gregas e de lá não mais saiu. Naquela ocasião, Cristiano Ronaldo era uma promessa. Nesse ano, o jovem português surge como destaque e uma das figuras principais que podem levar sua seleção a alcançar a glória que em 2004 lhe fora negada.

Há vida após Zidane? O time da França, treinado pelo 'Mandrake Domenech' aparece mais rejuvenecido. Jogadores como Benzema e Ribéry prometem levar os 'bleus' novamente ao título. Algo que, embora não seja de meu agrado, é uma aposta. Domenech tem méritos de ter iniciado um trabalho de renovação do elenco, mas tem a difícil tarefa de construir uma França órfã de seu mairo talento: Zizou. Restam no elenco o experiente Vieira, que se contundiu e perderá os jogos iniciais, Liliam Thuram, um ás na defesa. Os atacantes Anelka e Henry, que embora tenham sofrido revezes ao final da temporada européia, são intimidadores na área. O grupo francês é o carinhosamente apelidado de 'grupo da morte'. Sinceramente, acho que para eles, esse nome é apenas figurativo.

Em cena 'Os Reis do Catennaccio'. A Squadra Azzurra, capitaneada pelo ex-jogador Donadoni, aparece logicamente com o uma das candidatas ao título. Mas algo me diz que é apenas para constar. O time é quase o mesmo que venceu o Mundial de 2006, sem Totti e Nesta. A diferença está é no banco de reservas. Donadoni jamais convenceu no comando da equipe. Confuso como ele só, teimou até o último momento em convocar Del Piero. Desfalque de última hora, o capitão Cannavaro fará falta numa defesa, que outrora era o setor que menso causava preocupação. Alguém duvida que a Itália na hora do sufoco vai partir para defender com 9 e atacar com Toni?

Fogo de Palha. Capítulo a parte em todos os torneios dos quais participa, a Espanha vem para mais um, com aquele discurso promissor de que dessa vez vai dar. No fim, nunca dá. Ficam pelo caminho. No gol Iker Casillas, no meio Fábregas, no ataque o arisco Fernando Torres. Não tem Raúl, preterido pela juventude. Você pensa: 'é, parece um time bom.' Mas quando eles entram em campo, parece que dá pane. E você conclui: 'eu já sabia!'

A evolução de uma geração. Quando Klinsmann deixou o comando da Alemanha, tratou-se apenas de uma passagem de bastão para Joachim Löw. Afinal, era ele quem auxiliava o ex-atacante e, portanto, já estava por dentro dos fatos, se assim podemos dizer. Em 2006 ninguém apostava na Alemanha e eles foram vice-campeões mundiais. Alemanha é Alemanha. Não importa em que momento o time está. Eles são sempre favoritos quando dicutam uma competição. E o grupo de 2006 hoje está mais experiente e confiante. Alguém duvida desse time?


Onde está Wally? Onde está Seedorf? Os dois estão perdidos. Mas enquanto Wally aguça a curiosidade infantil, Seedorf parece não ser lá preocupação para Marco Van Basten. Pois se fosse ele, estaria preocupado. Entretanto, há ainda Van Persie, Robben, Sneijder, van Nistelrooy e van der Vaart...Muitos nomes complicados para uma mente só. Muitas promessas. Quero ver até onde chegam.


Para aqueles que desejarem informaçãoes detalhadas sobre as equipes e jogadores, aconselho uma navegada pelo site da Revista Trivela (link ao lado) e os blogs 'Doce Ilusão' e 'Além das Quatro Linhas'. Você verá que para nós, a Euro é um acontecimento e tanto e mereceria uma cobertura muito melhor do que a que certamente teremos direito mais uma vez na TV brasileira. De qualquer forma, bons jogos para todos. E viva o futebol!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Há vida após o Calcio?

Nesta semana foram definidos os confrontos para a semi-final do torneio das equipes juvenis da Itália. Essas equipes são chamadas de Primavera.

Fiorentina X Sampdoria
Inter X Udinese

Claro que para mim, o campeonato só passou a ter sentido depois de ver que a Samp tem um time competitivo. Brava!

Esperando Maná Parte 2



Bendita la Luz

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Oficialíssimo: ele chegou!

O 'Uno Speciale' agora é oficialmente treinador da Internazionale de Milano.
Depois de fotos divulgadas pelo site da Gazzetta dello Sport e muitas especulações, José Mourinho será apresentado amanhã à imprensa.
Um contrato de três anos, com um salário de 9 milhões por temporada. Uauuuu...

Bem, boa sorte para ele. Mas quanto à Inter.... Nem preciso completar. Vocês já sabem! O que conta nesse momento é ver na Itália um dos melhores treinadores do mundo. E com ele, a chance de ver novos jogadores em ação nos gramados de San Siro. Afinal, ainda espero voltar lá um dia.


Foto do post: Gazzetta.it