domingo, 29 de junho de 2008

Na terra da Valsa se dançou o Bolero de Ravel

Viena, 29 de junho de 2008. Estádio Ernst-Happel, palco do último 'Concerto Europeu de Verão'

'Após 30 jogos de tirar o fôlego, era apenas uma questão de esperar pelo inesperado. Só que desta vez não teve virada espetacular, nem um gol nos últimos minutos.' A Espanha esperou 44 anos para colocar as mãos no seu segundo troféu continental. E foi aos 33 minutos, numa jogada de Fernando Torres (foto), que os Deuses do futebol deram seu último sopro na competição européia de seleções. A melhor seleção venceu. O time mais ensaiado, de futebol mais sintonizado com a escola ofensiva e com jogadores bem afinados. La Furia Española encantou os amantes do bom futebol e parece ter deixado de lado aquele tabu que a acompanha nos últimos anos: o de levantar platéias ao redor do mundo e desafinar ao longo da temporada de concertos.

Políticos de Espanha e Alemanha se congratulavam e trocavam idéias durante a apresentação das equipes. Nessas horas, difícil é separar um humilde espectador/torcedor de um chefe de estado. Ambos vibraram, torceram calorosamente ou aplaudiram seus conterrâneos a cada final de ato.

Em campo, lá no centro, de onde surgiam as mais belas canções, o confronto de dois maestros distintos. A frieza do alemão Löw, incorporando o espírito de Beethoven em seus acessos de fúria, só que um pouco mais contidas, durante os 90 minutos. Do outro, a experiência de Aragonés, estilo clássico de compositor. Poderia ser passional como um basco. Discreto como um francês. Como ele, Maurice Ravel, o compositor do Bolero, sua obra mais famosa.

Os músicos pareciam estar a vontade no meio de tamanha multidão. A juventude espanhola não atrapalhou o conjunto. A experiência alemã não resistiu à criatividade e improviso daqueles que souberam envolver o adversário em uma dança que começou em ritimo lento, e que aos poucos foi aumentando, culminando com o grand finale do solista Fernando Torres. Foi dele o último acorde do 'Bolero'. E a Casillas (foto), o spalla perfeito que qualquer maestro gostaria de ter em seu grupo, coube o papel de levantar o tão cobiçado troféu de campeón.

E assim, Viena acordou ao som da valsa Danúbio Azul e foi dormir ao som do Bolero. Uma combinação que pode não ser das mais interessantes estando assim no papel, mas que soaria como música para os ouvidos do mais desinteressado torcedor...

Até a próxima Euro!


Fotos do post: Gazzetta.it