sexta-feira, 13 de junho de 2008

Você quer ouvir Coldplay?

Tenho uma simpatia natural por bandas inglesas, pois me identifico com o rock inglês. Um rock melódico, cheio de metáforas. Algumas músicas chegam a ser melancólicas, mas nesse meio todo, encontrei algumas exceções. Coldplay foi uma delas e a que me marcou mais. Hoje, chegou ao Brasil o quarto álbum da banda 'Viva la Vida'. Mesmo sem tê-lo ouvido por inteiro, já imaginava que o trabalho seria como uma ode à vida. Celebração à amizade. Mas como só a banda sabe fazer, há nesse título uma contradição: Death and all his friends...

Desde o início, vejo que os singles escolhidos para os lançamentos de seus álbus são músicas que têm mais ou menos o mesmo estilo. Como a própria banda tem o seu estilo. Ela difere de todas as outras. São músicos talentosos, parecem pessoas bem normais, sem afetações e fazem música boa para nossos ouvidos. Pelo menos para os meus, os refrões que eles produzem são muito bem-vindos.

Já no primeiro álbum deles, 'Parachutes', a música que emplacou nas paradas foi 'Yellow'. Ela entra na minha lista das preferidas por dois motivos: o primeiro é porque ela é uma música gostosa de se ouvir. Segundo porque tem uma letra que inspirava quando olhava as poucas estrelas brilhando no céu de uma cidade tão poluída como o Rio de Janeiro. Ela fala de doação ao amor e de pensar que existe alguém nesse mundo que pode te inspirar em muitos sentidos.

'Look at the stars,
Look how they shine for you,
And all the things that you do...'

Depois, ouvir 'Everything's Not Lost'. Se você acha que tudo na sua vida está perdido. Esqueça. Escute essa música é nela você terá a energia que precisa para continuar na luta. Seria um hino para a Squadra Azzurra nessa Euro 2008. Apesar de que no caso do time de futebol, a coisa está mais para perdida do que encontrada ou próxima de uma solução.

'When you thought that it was over,
You could feel it all around,
And everybody's out to get you,
Don't you let it drag you down.

Cos if you ever feel neglected,
And if you think that all is lost,
I'll be counting up my demons, yeah.
Hoping everything's not lost...'

No álbum seguinte, 'A Rush of Blood to the Head', a banda atinge um ápice criativo que produz músicas com aquele ritimo inglês meio down e ao mesmo tempo com uma letra poderosa, como é o caso da música título. Uma balada que alterna um monólgo de uma história contada, com incursões de guitarra e bateria que a fazem seguir um outro ritmo no final.

Nesse mesmo cd, há a música 'Clocks', plena de piano, imitando o tic-tac do relógio. Foi a música que mais foi ouvida nas rádios. A que fez parte de todo e qualquer set-list da banda e que fez muita gente dançar na frente da tv ao ver o 'Top TVZ do Multishow'.

Se Queen fez sua rapsódia musical com 'Bohemian Rapsody', Coldplay tem a sua com a música 'Amsterdam'. Talvez por ser uma música longa, não foi escolhida como faixa para rádios. Ainda bem. Iam estragá-la se fosse cortada. Um dia ainda entenderei o porquê da escolha do nome 'Amsterdam'. Ela não fala da cidade, mas de alguém que parece estar enfrentando uma situação difícil e se vê com uma corda no pescoço de cabeça para baixo, sem forças, quase se rendendo, mesmo assim, parece pedir socorro para quem a escutar. Pode ser uma viagem minha, mas que a música é fantástica isso é. Já até imaginei uma história para ela. Mas isso fica para outro dia, ou outro post...


Chegando ao 'X & Y', a equação matemática, ou os cromossomas X e Y que identificam macho e fêmea, a banda caminha por mares menos radiofônicos e embarca em uma viagem mais pessoal. Mais uma vez, a música escolhida para single foi 'Speed of Soud', com paino e batida marcantes. Dançante. Alegre. Alto astral. Coldplay mostra que para ser roqueiro da terra da rainha você não precisa falar de suicído, tristeza e nem ser melancólico. A canção mais surpreendente para mim acabou sendo a que eu apelidei de 'enigma'. Tal qual uma equação e suas variáveis, tal qual o que há de homem e mulher nos seres humanos, tal qual o mistério contido no que é X e Y, um homem e uma mulher apaixonados cuja identidade permanece desconhecida.

'You and me are floating
On a tidal wave together

You and me are drifting

Into outer space and singing...'


O que era para ser um pequeno post, acabou virando um pequeno tratado. Não quero aqui encontrar uma definição para Coldpaly que se encaixe em alguma enciclopédia musical. Seria impossível definí-los. Só mesmo quem curte sabe o que estou querendo dizer. Tomara que o Brasil faça parte do mapa da turnê da banda. Dessa vez, não os deixarei passar em branco.

Como não pode passar em branco a origem do nome Coldplay. Inspirado em uma coletânea de poemas de Phillip Horky (Child Reflection's Cold Play), um poeta californiano, cujos poemas têm como característica a não-obediência estilística e estrutural. Combinando o surreal com o real provocando ambiguidades. Taí a criatura que tenta imitar o criador.

E Viva La Vida!