quinta-feira, 17 de julho de 2008

Parabéns Volta Redonda

Dia 17 de julho de 1954, a cidade de Volta Redonda foi fundada no Vale do Paraíba. Deram à cidade a alcunha de 'Cidade do Aço', pois é nela que está localizada a Companhia Siderúrgica Nacional, ou CSN, a maior Siderúrgica da América Latina.

E foi lá que nasci. Foi lá mesmo vizinha à CSN que dei meus primeiros passos e, respierei o ar outrora mais poluído que a cidade já teve. O bairro em que morei até os 5 anos se chama 'Conforto'. Da minha casa, podia avistar as chaminés dos alto-fornos. A fumaça que deles saía. Faltava-me a dimensão do que aquilo significava. Brincava de bicicleta na rua 235. Uma rua cheia de crianças que, como eu, e adoravam fazer arte e correr como loucas depois de tocar a campainha de todas as casas próximas.

Entretanto, foi no 'Barreira Cravo' que vivi até os 18 anos e de lá parti rumo ao desconhecido e desafiador Rio de Janeiro.
Tinha o privilégio de ser vizinha do Rio Paraíba do Sul. Era nele que pulava escondida junto com os 'parceiros' de brincadeiras. Jogava futebol, queimada e todas aquelas modalidades de pique que podemos imaginar. Subia em árvores e andava de bicicleta.
Não posso reclamar. Tive uma infância feliz. E Volta Redonda fez parte dela.

É curioso quando você deixa sua cidade natal ainda jovem e passa a viver em outra, onde você constrói sua vida e consolida a outra parte de sua identidade quando já adulta. Ao voltar lá, me sinto distante de muita coisa, mas as lembranças jamais se perderam. Muitas das pessoas com as quais cresci junto nem mais vivem lá. Hoje é raro ver as crianças nas ruas brincando, chupando cana, correndo pra lá e pra cá e curtindo os animais no zoológico. E mesmo andando pela praça no centro da cidade, onde ia todos os domingos depois de 'visitar' os aviões no Aeroclube. Tenho a impressão de que está tudo mais passageiro.


A cidade mudou. Eu mudei. Espero que ambas tenham mudado para melhor. Temos um estádio lindo, um comércio movimentado e, sobretudo, um ar menos poluído. Ao ir lá em visita à família, não deixo de voltar no tempo. Olhar admirada para as árvores que um dia foram cenários de 'brigas entre tribos de índios' fruto da imaginação da turma de 'amigos' que tinha. O terreno onde caçava borboletas e catava sapinhos para vê-los pulando dentro do copo. O pé de amora cuja fruta era comida sem cerimônia apenas estivesse tingida de vermelho. A calçada que servia de pista para os diversos 'Fórmula 1', apelidos que dávamos às nossas bicicletas coloridas. A casa que me olhava e me via tão pequena. A varanda, local preferido nas manhãs e tardes de domingo para a leitura de livros e jornais e o quintal onde fazíamos churrasco.

Acho que são essas coisas que fazem Volta Redonda ser tão especial. Ela pode estar diferente, mas pra mim será sempre a mesma cidade. A ligação que tenho com ela não será quebrada pelo tempo ou distância. Será eterna. Parabéns Volta Redonda pelos seus 54 anos de vida! Cada dia mais jovem e cada dia mais linda.


Fotos do Post: PortalVoltaRedonda.com