quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Por que não vejo os Jogos Olímpicos?


Na minha infância, considerava os Jogos Olímpicos um evento imperdível. Acompanhava vôlei, natação e futebol com a mesma paixão que uma amiga vizinha. Éramos duas couch potatoes nessa época. À medida em que fui crescendo, as Olimpíadas foram perdendo seu encanto para mim. A lembrança de Joaquim Cruz chorando no pódio em Los Angeles 84 e as defesas de Taffarel nos jogos de Seul 88 foram ficando esquecidas. A inédita medalha de ouro do vôlei masculino em Bracelona 92 passou a ser apenas uma recordação de uma Seleção espetacular que mostrou ao mudo como ser e se manter eficiente ao longo de duas/três gerações.

Hoje, pouco me interesso pela competição. Ligo a TV e é um show de torcida. Nada informam sobre os esportes em questão. Os narradores e comentaristas mantém-se fiéis ao lado de torcedor que os distanciam do que a tela mostra. Vejo que uma ótima oportunidade de disseminar o conhecimento sobre os esportes menos comuns é perdida no meio de tanta torcida ufanista. E digo, gosto de esportes.

E tem ainda o declínio do desinteresse pelas modalidades à medida em que atletas brasileiros vão deixando de competir por medalhas. É como se tudo se restringisse ao que temos para vencer. Exploram os dramas dos derrotados. As imagens de suas lágrimas e tristezas são repetidas à exaustão e literalmente, o mundo pára para acompanhar tudo isso. Um gosto meio exótico pela tristeza do outro.

Por outro lado, o medalhista, aquele que venceu todos os obstáculos e se tornou um herói, ocupa as manchetes dos jornais especializados. Vira celebridade. Pssamos a conhecer sua família, seu primeiro olheiro, o primeiro treinador, sua cor preferida, seu shampoo, enfim... Tudo isso até que o próximo ocupe seu lugar. Uma coisa meteórica, que chega a me deixar tonta.

A mídia acaba vendendo à população a imagem de que somos um país sofrido, que os atletas trabalham e vencem nas adversidades. Mesmo assim, o sonho Olímpico é vendido. Não somos uma potência olímpica e estamos longe de sê-la. Não consigo entender essa busca incessante para se encontrar e rotular heróis. Me incomoda ver que somos vítimas de um próprio preconceito em que se vencer é um ato heróico e ser derrotado reforça a idéia de que 'pelo menos estivemos lá e temos muito que aprender'. Esse discurso se perpetua e ao invés de impulsionar para mudança e aperfeiçoamento das políticas esportivas do país, torna-se vazio com a desculpa de que aqui falta tudo.

Quem entra para competir possui duas possibilidades: perder ou vencer. Em qualquer uma delas, a vida continua. O atleta volta aos seus treinamentos, prepara-se para as competições futuras. A medalha fica para a história, mas não se pára no tempo. Pelo menos acho que é assim que deveria ser.