segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Una Emozione Per Sempre - O dia em que fui tiete

Não é segredo para ninguém o quanto eu adoro futebol. Só que nunca fui daquelas torcedoras tietes que ficam gritando o nome de um jogador. Sou tímida. Mas para tudo há uma primeira vez. E assim a coluna 'Una Emozione Per Sempre', desse mês será mais uma homenagem, meio que tardia a um aniversariante que tem toda a minha tietagem.

Em algum momento de 2003, Nelson Baptista dos Santos foi anunciado treinador do Flamengo. Nessa época, já sócia do clube, tentava aprender a melhor maneira de raquetar uma bola de tênis sem isolá-la do outro lado da Gávea. A notícia me fez pular do sofá. Me lembrava do Nelsinho de quando o Corinthians venceu um título brasileiro, em 1990-91. Como Palmeirense, eu tinha raiva do time, mas dele não. Que coisa!

Pensei logo em arranjar um jeito de ir até o clube para ao menos conseguir um autógrafo dele. Mas como? Eu não conseguiria abrir a boca. Foi então que a Internet quebrou um galho. Descobri por um acaso que ele possuiu um site pessoal. Fui até lá e mandei-lhe um e-mail. Sinceramente, não aguardava por nenhuma resposta. Ela veio. E com ela a coragem, meio que lá no fundo, foi nascendo...

Peguei o ônibus e fui numa tarde acompanhar os treinamentos do time. Vi tudo desde o início. Cheguei timidamente pelo lado de fora do alambrado e me identifiquei para o treinador. Ele, muito gentil, trocou algumas palavras comigo. Me apresentou ao seu filho, que compõe sua equipe de trabalho e ao seu auxiliar, o ex-jogador, Mauro, que estava ao lado. Neste dia, não tinha câmera nem papel. Precisava era ter coragem para falar com ele. Aquele famoso ice breaker. Ao final da rápida conversa, perguntei-lhe se poderia voltar para então fazermos uma foto. Ele fez que sim.

Um mês se passou. E à Gávea retornei. Fui num dia agitado. Adriano, ex-jogador do time, que defendia na época o Parma, estava lá visitando seus ex-companheiros. Pensei: 'Tirei a sorte grande'. Ocasião tipo 2 em 1. Obviamente, a coragem para falar com o atacante demororu a vir, mas eu fui lá. Contei-lhe que tinha um amigo em Parma que trabalha no clube, que ele conhecia. Conversamos um bom tempo sobre o clube, a cidade e sobre o quanto eu tinha simpatia pelo clube gialloblu. Nesse meio tempo o treino do Flamengo rolava e o frio ficava cada vez mais intenso. A luz natural sumia e foi ficando escuro. Tão escuro que até os jogadores desapareceram...

Percebi que o treino já havia acabado e nada de conseguir falar com o Senhor Baptista. Foi então que o segurança do clube notou a presença solitária de uma moça ao redor dos vestiários e foi investigá-la. De fato, o moço me pediu para me retirar do local. Tive que explicar a ele o que fazia ali e que estava autorizada pelo treinador a esperá-lo pois iria pegar autógrafo e fazer uma foto com ele. Era difícil convencer alguém de que eu era fã do treinador do time, não de Felipe ou Fábio Baiano, muito menos de Cássio, Júlio César ou Fernando Baiano!

Um bom tempo depois, quase venciada pelo cansaço, encontrei Nelsinho e seu filho. Comigo tinha uma entrevista que ele dera ao Lance! logo depois que fora contratado. Pedi que a assinasse. Tinha ainda uma entrevista dada à revista Lance a +. Tudo assinado. Foi a hora das fotos. Sorria de tanta alegria. Encontrava enfim um ídolo, alguém que admirava desde jovem. Tive a chance de conversar com ele e trazer uma recordação desse dia. Fui tiete e não me arrependo.

Alguns dias depois, devido aos insucessos do time, Nelsinho saiu do clube. Assinou com o Nagoya Grampus do Japão. Continuava a frequentar o site dele. Ocasionalmente mandava e-mails quando sabia de algum sucesso dele no Japão. Desejava boa sorte. E o melhor ainda estava por vir. Em um sorteio que ele fazia no site, ganhei um 'kit escolar' do Nagoya. Um chaveiro, um pequeno caderno, lápis, caneta e borracha. Recebi tudo em casa. Mais uma supresa. A vida é una emozione per sempre. Por um bom tempo acabei 'gostando' do futebol japonês e até tinha time para torcer.

Ao Nelsinho (que sei que nem deve ler esse post) eu agradeço pelo carinho e simpatia com que sempre me tratou. Torço sempre por ele, aonde quer que ele esteja.