quarta-feira, 15 de outubro de 2008

The Cult In Rio: Eu fui!

Em se tratando de assistir a sua banda favorita, quase ao lado de sua casa, não dá para dizer não.

Minha história de amor com o The Cult começou na minha adolescência. Os vi ao vivo pela terceira vez e essa última foi a mais especial. Fui quase deixada de lado, mas minha persistência foi derrubando todos os obstáculos no caminho. E no fim, me diverti muito.

O show foi curto. Ian astbury, o vocal e alma da banda, não parecia estar nos seus melhores dias. Pouco interagiu com o público. Mesmo assim, o show foi calibrado na medida certa. Os clássicos da banda, exceto 'Revolution', que eles não tocam ao vivo, foram cantados com muita energia pela turma do gargarejo. Eu inclusa. Estar lá era coisa para fã. Me senti em casa. Rodeada de gente que como eu, saiu de um dia inteiro de trabalho para acompanhar um show de puro rock'n'roll em plena segunda-feira.

Para quem é fã de uma banda, assisistir ao show dela é uma faca de dois gumes. Normalmente você gosta e conhece as músicas que não tocam nas rádios. Você conhece o trabalho a fundo e sabe o que é comercial e o que não é.

Comigo acontece assim. Minhas músicas preferidas do The Cult não fazem parte do show. Ficam na memória. Gostaria de tê-los ouvido tocar 'Painted on my Heart' e 'Brother Wolf, Sister Moon'. Não foi dessa vez. Entretanto, ouvir 'Rise', cujo vídeo já foi postado no blog há cerca de dois meses, foi quase que como atingir o 'Nirvana'.

A porta de entrada do show foi 'Lil'Devil'. O riff de guitarra inconfundível de Billy Duffy fez a galera ir à loucura. Nesse momento, um cara em frente ao Ian tentava jopgar sua camisa para ele. O inglês, com seus inseparáveis óculos escuros, nem notou.

O set list da banda procurou cobrir todos os momentos de sua história. A começar pela canção 'Spiritwalker' do Dreamtime. Em seguida, o álbum 'Love' foi representado por 'Nirvana', 'She Sells Sanctuary' e 'Rain'. De todas as músicas do The Cult, 'She Sells...' é a mais emblemática. Primeiro pelo trabalho de guitarra, que na versão em estúdio ainda é inferior à versão remixada. Segundo porque é uma música cheia de energia mesmo.

'...The fire in your eyes
Keeps me alive...'

E 'Rain'? A Ode à Chuva, aquele elemento sem o qual inglês que é inglês não existe. A batida psicodélica junto com o gingado das 'Sultanas' no clipe da música vieram à minha cabeça naquele momento. Me senti com uma delas ali. Dançando.

Do álbum seguinte, 'Electric', espaço para 'Lil'Devil', 'Wild Flower' e 'Love Removal Machine'. Impossível não reparar na histórica guitarra Gretsch branca que Billy usa. Você se apaixona pela beleza do instrumento.

O álbum que marcou o retorno do The Cult e que os trouxe ao Brasil pela primeira vez, teve 3 faixas incluídas no show. Sonic Temple fez algum sucesso, mas não teve como competir comercialmente com os grunge e com Guns 'N' Roses... Dele saíram 'Fire Woman', a balada 'Eddie (Ciao Baby)' e 'Sweet Soul Sister'. Essa última fazia até parte da vinheta que a banda gravou para a MTV americana que dizia assim, 'Hi, I'm Matt, Ian, Jamie and Billy. We are The Cult and you are watching us on MTV!'. Pois é. eu me lembro disso e tenho a vinheta gravada em VHS perdida em algum lugar daqui de casa.

Um gap de dois ábuns que foram considerados fracos comercialmente. 'Ceremony' e 'Cult' para então a música que eu esperei o show inteiro para ouvir, 'Rise'. Ela está no álbum 'Beyond Good and Evil'. Essa música sintetiza o que é o The Cult. Uma banda mística cujas letras passam mensagens de amor, vibração e colocam a alma e o coração em cada linha que eles criam.

'It's the way that you feel
It's the truth in your eye
You got wings upon your back and you can fly
It's the way that you feel
It's the truth in your eye
'Cause you're up against the world and still you rise
And still you rise'

De alguma maneira, quando ouvi a banda pela primiera vez, isso me cativou. Sinto que vivo isso 24 horas por dia. É como se para mim, The Cult representasse um amor eterno que me acompanhará para sempre. Para mim não existe outra banda igual. E foi graças ao Matt Sorum que descobri The Cult... Foi uma 'Revolution'!

Voltando ao show, duas músicas do trabalho novo, 'Born Into This', foram tocadas. Eram desconhecidas do público e mesmo assim, não comprometeram um show bem elaborado. Saí do Circo Voador com a sensação de ter assistido ao um vídeo Com os maiores sucessos do grupo. Uma carreira revista em 1 hora e meia. Nisso eles capricharam. O tempo passa e na beira dos cinqüenta, tanto Ian como Billy parecem ter ainda muita 'Revolution' para causar em palcos ao redor do mundo.

PS. O guitarrista Mike Dimkich usou uma guitarra muito 'antipática'. Nela havia um adesivo do ... Flamengo... Ô infeliz!!