sábado, 11 de outubro de 2008

Ode às Crianças


Há uma criança viva dentro de mim. De vez enquando ela surge. Não costuma avisar o dia, nem a hora e muito menos a ocasião em que ela toma forma no corpo dessa mulher de 33 anos. Ela simplesmente chega. Diz olá com uma voz fina e bem baixinha. Tão baixinha como sou.

De sua boca saem palavras doces. Os obstáculos se tornam pedrinhas que logo serão jogadas no rio, como fazia na companhia de meus amiguinhos de brincadeiras. Os sonhos logo viram realidade nas conversas com amigos e nas brincadeiras com meus alunos. A curiosidade surge quando alguém me diz que tem um segredo para contar. Ou até mesmo quando escuto a frase "é uma surpresa".

De fato, nunca deixei de ser uma menininha dengosa, confesso. Alguém que pede carinho e atenção quando se sente só. Aquela que acorda de manhã e preguiçosa senta para tomar seu café. Se derrete quando escuta uma palavra de carinho. E que repete a cada ano o mesmo ritual. O de não procurar esquecer que a doçura de um olhar e a inocência das crianças devem fazer parte da vida de adulta também.

Este ano, escolhi o Tintim para representar a data. Ele é um jovem jornalista. Ele não procura problemas ou aventuras. Como um imã, são eles que o encontram e atraem. E dessa forma ele conhece diversos países e trava contato com diversas culturas. É uma personagem curiosa. Ele não vive à margem de seu tempo. Ele vai à Rússia da exploração espacial, à Escócia da Ilha Negra e do monstro misterioso, à América dos gângsters e numa história polêmica, ao Congo, colônia belga, país de origem de seu criador, Hergé.

Na infância, as meninas com quem tinha contato se ligavam em Barbies e Bebezinhos. Eu me ligava no Tintim. Na Pantera-Cor-de-Rosa. No Batman. Sem DVD ou vídeo cassete, hoje corro para recuperar o tempo e relembrar a emoção que sntia vendo todas essas coisas. Nunca é tarde para se divertir sendo adulta no Dia das Crianças. Nem ao menos me envergonho em dizer que todo ano, a criança que fica lá no fundo de minha alma, ressurge para me mostrar que o mundo é muito melhor do que nós adultos julgamos ser.