domingo, 7 de dezembro de 2008

Um Animal de Nome Edmundo


Até hoje, escrevi sobre jogadores que admiro. Até então, todos estrangeiros. Nunca havia reservado a ele umas poucas palavras que fossem. Não é que ele não merecesse. Ele merece. E muito. Talvez estivesse esperando o momento derradeiro para prestar minha homenagem.

Ah! É Edmundo!! Ah! É Edmundo! Ouvi esse grito neste ano. Fiz coro com algumas milhares de pessoas no Maracanã numa tarde de domingo. Era 7 de abril. O Vasco jogava contra o Flamengo. Enfim, depois de marcar e desmarcar esse encontro, revi Edmundo. Só que aquela era a última vez que o veria com a camisa do Vasco. Era a última vez que o veria numa partida de futebol como jogador profissional. Só que eu não sabia.

Muito já foi dito sobre o lado ruim de Edmundo. Suas confusões dentro e fora de campo, principalmente. Ninguém recebe a alcunha de 'Animal' à toa. Assim como não se pode garantir que uma pessoa não possa mudar. Por mais que isso demore, ela pode. Desde que queira. Acho que de alguma forma, Edmundo mudou. Ele quis mudar.

Prefiro guardar dele as boas lembranças. Não é por opção, não. É por acreditar que dentro de alguém que deu tanto com a cabeça na porta, um dia a porta se abre, ela entra e ali, dentro de uma enorme sala, num ambiente novo, ela possa finalmente dar-se a chance de recomeçar.

Numa tarde de domingo, assistia ao confronto entre Vasco e Palmeiras pela TV. Edmundo ainda defendia as cores do time do Parque Antártica. O repórter parou para entrevistá-lo e ao fundo ouvia-se a torcida da casa gritar o nome daquele que ainda considerava seu ídolo. Indagado sobre o que representava para ele tamanho carinho, emocionado, Edmundo declarou seu eterno amor ao Vasco. E as lágrimas despontaram em seus olhos. Vendo a cena, me emocionei. Lembrei de quantas vezes me encantei no passado vendo-o em campo pelo Vasco. Vi o título do Brasileiro vencido em cima do próprio Palmeiras em 97 com ele em campo. Inesquecível. O vi campeão pelo Palmeiras também. Sua temporada brilhante na Fiorentina, interrompida melancolicamente pelo Carnaval carioca.

Edmundo viveu sua glória em campo. Foi o melhor durante um bom período de sua carreira. Me pergunto às vezes onde ele poderia ter chegado se tivesse anos atrás a cabeça que tem hoje. No fim, tudo se reduz a essa pequena palavra: se. A condição de algo que nunca poderemos saber.

Obrigada Edmundo. Fui uma torcedora feliz enquanto você defendeu o Vasco e o Palmeiras.