domingo, 22 de fevereiro de 2009

Addio, Direttore


Morreu na manhã deste domingo na Itália, Candido Cannavò, histórico diretor da Gazzetta dello Sport. Candido deixa para o mundo seu maior legado profissional: o jornal cor-de-rosa mais popular do planeta.

Nas suas páginas, linhas memoráveis dedicadas a campeões e derrotados de uma Itália do futebol, da vela, da F1 e porque não, do cinema e da música. Cannavò era isso. Um jornalista múltiplo. Seus textos eram páginas em branco cujo colorido ia sendo delineado pelos pincéis que dispunha em suas mãos e pela poesia que vinha de sua alma.

Um dia, fascinada pelo talento de Roberto Baggio, decidi que aprenderia a ler, escrever e falar a língua dele. Não me importava o tempo que isso pudesse levar. A Gazzetta dello Sport foi a primeira ferramenta que tive em minhas mãos. Através dela, fiz até amigos. Dentre eles, o Senhor Mario Giovanni, hoje falecido. Torcedor fervoroso da Juve, ele era o dono da banca da Santa Clara, em Copacabana. Era lá que ia todas as manhãs de segunda-feira comprar minha edição do jornal. E assim o fiz por quase uma década. E nesse tempo, com Cannavò viajava pelas páginas do Calcio e com Giovanni viajava pelos sons dessa língua fascinante.

A Gazzetta foi e ainda é parte de minha história de aprendiz de italiano. Só que a partir de agora, o cor-de-rosa do jornal fica um pouco desbotado, pois na sua primeira página, faltará as crônicas dele, 'Il Direttore'. Descanse em paz.