segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Il Ragazzo Di Orzinuovi

Samp na 'A'! Finalmente

Quem me conhece sabe que eu tenho uma paixão pela Itália. Minha marca registrada. Quando criança, durante as Copas, costumava pegar revistas com as Seleções e ia direto para o Atlas da Barsa que tinha lá em casa. Assim, conheci muitas cidades, rios, cadeias de montanhas e lagos. E muito do que conheci da Itália vem dessa época.

Os anos se passaram, mas a curiosidade fez o hábito. Até hoje, quando procuro informações sobre um atleta ou treinador italiano, tento saber suas origens. Encontro coincidências incríveis. Como por exemplo, a cidade de Orzinuovi. Inicialmente, associava-a a Cesare Prandelli, na época allenatore do Parma. A cidade ofereceu ao futebol italiano outra personagem. Essa sim, objeto deste post especial. O primeiro de fevereiro, para o primeiro jogador. Sergio Volpi.

Sergio começou sua carreira no Brescia, nos juvenis do time, exatamente no início da década de 90. De lá pra cá, defendeu Bari, Venezia, Piacenza, Sampdoria e atualmente é o responsável pela criação de jogadas do meio-campo do Bologna, na Seria A. Tem em seu currículo duas presenças na Azzurra, ambas em 2004.

Gostaria de confessar uma coisa para vocês. Esse post é a resposta a uma pergunta que não quer calar. Por que alguém que gosta de futebol italiano vai gostar do Volpi? Esse cara que nem famoso é? Não aparece em revistas de celebridades e muito menos milita num clube grande?

A coisa é simples. Você curte um jogador e pronto. Uma vez escrevi uma coisa que ficou até engraçada, mas que é a pura verdade. Tem gente que gosta do C.Ronaldo, outras preferem o Kaká, tem aqueles que acham Fernando Torres ou Gerrard excelentes. Eu curto o Volpi. Esse desconhecido, narigudo, tímido, mas que de alguma forma cativou a torcedora aqui do Brasil. Aonde ele vai, eu, fiel, vou atrás.

Conheci o Volpi odiando-o por ele ter sido um dos responsáveis por ter colocado o Verona na Serie B. Isso mesmo. Era a temporada 2001/2002. Dia 5 de maio. O Verona precisava vencer na casa do adversário, o Piacenza do Hubner, um chaminé que marcava gols a rodo e se tornou artilheiro com Trezeguet naquela temporada. Se perdesse, a punição seria implacável. Serie cadetta. Eis que aos 25 minutos de jogo, de falta, 'esse tal de Volpi', faz o primeiro gol da partida. Um golaço, digno de registro. Daí pra frente, meu domingo foi um desgosto só.

Nossa, tinha a 'Domenica Sportiva' com todos os passos do Verona naquele domingo. Vi e revi os lances da partida até enjoar. Tive raiva, chorei de tristeza e praguejei até que fui me esquecendo e me acostumando com o fato de que veria Serie B todo sábado na TV!

Bem depois, assistindo ao noticiário de transferências, vi 'esse tal de Volpi' indo para a Sampdoria, acompanhando Walter Novellino, o treinador recém contratado pelo time que afundado injustamente pelo comandante Spalletti anos antes, desejava mudar de rota e fincar sua bandeira na Serie A para de lá não mais sair. Sei lá. Acho que resolvi dar uma segunda chance a ele. Passei a acompanhá-lo. Aliás, eu tenho essa mania de acompanhar carreira de jogador. Independente do time que ele esteja. Mas vamos combinar, duvido que isso aconteceria se ele tivesse parar na Inter! Tem um agravante na história. Ele é torcedor confesso do ?! Milan ?!

Então, desde essa época, meu coração passou a ter as cores vermelho, azul e branco. Virei torcedora da Sampdoria, o time que foi do Zenga, quando Pagliuca o 'tirou' da Inter. Mas essa é outra história. Todos os passos dele eu segui. E quando ele saiu do Doria, quase morri! Metaforicamente. Foi triste vê-lo sair do time, como ainda dói ver o time sem alma em campo. Falta o Volpi. Minha torcida pela Samp nunca mais foi a mesma.

Seria digno de minha parte homenagear esse jogador que me faz uma torcedora feliz ao vê-lo em campo aos domingos. Exatamente por ser (in)comum, ele é especial. Cada gol que ele marca fica gravado na memória. Cada entrevista rara é vista e revista. As fotos, guardadas com carinho. Sou sim uma torcedora daquelas que pode virar tiete porque sonha um dia, se o tempo for generoso, em ver seu ídolo de perto e ter dele alguma recordação.

Meu time, aquele para o qual eu torço efusivamente se chama Società Sportiva Volpi. O time do eterno 'Capitano'. Esteja ele onde estiver, por ele torcerei.

Parabéns 'Capitano'!

No Bologna. Desafio constante.


Fotos do Post: BolognaFc.it / Sampdoria.it