quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Revolta!

Há cerca de um mês atrás, um grupo de alpinistas italianos, capitaneados por um guia argentino, partiu para uma escalada rumo ao topo do Aconcágua, a montanha mais alta das Américas e tida como uma das mais difíceis de se escalar.

Todos nós sabemos ou pelo menos imaginamos que alpinismo é o tipo de 'esporte' que uma pessoa escolhe praticar por vontade própria, sabendo dos sérios riscos à vida que ele oferece. Portanto, todo cuidado é pouco, mesmo sabendo que chegar bem ao topo de uma montanha não é garantia de que o homem venceu o desafio. É apenas a metade dele.

São inúmeros os relatos de pessoas que descrevem a decida de um cume como a parte mais difícil da jornada. Depois que se chega ao topo, se relaxa, a adrenalina abaixa e o perigo de distrações é maior. A exposição ao cansaço provocado pelas horas de tensão e raro oxigênio, que compromete várias funções cerebrais, é infinitamete superior aos preparativos de um ataque ao topo. E são nas decidas que muitas tragédias tomam forma.

Com esse grupo, não foi diferente. Só que ao contrário de muitos acidentes, esse veio à tona, trazendo um elemento surpreendente. Degradante. Revoltante. Mas vamos aos fatos. O grupo saiu em busca do sonho de se chegar ao lugar mais alto das Américas. Conseguiram e ao retornarem, foram pegos de surpresa por uma tempestade de neve que os fez perder o rumo.

O guia então solicita ajuda do grupo de resgate. Dos cinco, três italianos foram salvos e uma mulher morreu. Ao chegar ao local em que estavam, diga-se de passagem, dois dias depois, os responsáveis pelo resgate encontraram Campanini em péssimas condições. A patrulha passa alguns minutos conversando sobre a hipótese de deixá-lo no local, uma vez que seu salvamento seria inúti. Ora, o grupo não é responsável por salvar vidas? Não seriam eles os primeiros a tentarem salvar vítimas? Não consigo entender que tenha se passado pela cabeça deles abandonar uma pessoa viva sob uma temperatura de 25 graus negativos. Independente do estado dele, o corpo deveria ter sido retirado da montanha. Com ou sem vida.

Ao encontrarem o corpo de seu filho abandonado na montanha, os pais do argentino e a equipe observaram que ele havia se mexido cerca de 7 a 8 metros do local em que fora deixado anteriormente pelos irresponsáveis responsáveis por resgatá-lo. Ou seja, ele foi deixado lá, ainda com vida!

O caso poderia ter sido mais um dentre tragédias que envolvem a prática desse esporte radical, mas nesta semana, o vídeo que chegou ao advogado da família Campanini revela não só os fatos descritos acima, mas como mostra chocantes imagens da vítima sendo puxada através de uma corda como se fosse um animal. Meu Deus! Não se tratam de homens, mas de assassinos!!

Armando Párraga, chefe da patrulha de resgate foi afastado do cargo que ocupa há mais de 30 anos. Era o mínimo que se podia fazer, embora o ato não traga alento à família de Federico.

Abaixo o vídeo dramático.