domingo, 22 de março de 2009

Encontro Fatale

Um espírito vaga pelas ruas da cidade...

Inicialmente foi dado como morto, mas tenho informações de fontes seguras de que ele ainda circula pelas ruas de Central City.

A primeira vez que ouvi falar dele foi no ano passado. Um amigo já o tinha visto vagando em outra região do país. Estranho, pensei naquela época. O que uma pessoa famosa como Denny Colt poderia vir fazer no Brasil? Nada de anormal acontece nesse país. Aqui não é como Gotahm City, cujas ruas estão povoadas de bandidos e cuja lei dos mais fortes predomina, desde que vocÊ tenha uma arma em punho e força para golpear sua vítima. Muito menos há alguma semelhança com Central City, que tem ruas povoadas de prédios coloridos que durante a noite se desbotam para dar lugar ao noir, cor da loucura e solidão.

Enfim, depois de alguma insistência, descobri que Denny veio aqui para entender como um deputado consegue ter um castelo no meio da mata sem que ninguém desconfiasse. Casos assim começam a pipocar em sua cidade. E pelo que soube, as autoridades brasileiras são pioneiras na arte de investigar e punir crimes de sonegação fiscal cometidos por membros do parlamento brasileiro.
Denny me recebeu para um jantar na cobertura do Hotel Othon em Copacabana. Era sábado à noite e a fria brisa que vinha do mar pousava sob meu corpo fazendo-me desejar ardentemente um chocolate quente. Mas na presença dele, não pude se não aceitar um delicioso licor de Cassis, servido como aperitivo. Quanto ao jantar... Curiosos vocês vão ficar.

A noite transcorria de maneira agradável. Conversa leve. Uma música suave. Não resisti: tive que pedir para que ele me mostrasse a roupa que ele usa ao sair pelas suas de Central City. Ele não só me mostrou, como me convidou para uma escapadela.

Descemos as escadas do hotel pela saída de emergência. Sem sermos vistos, entramos num carro estacionado na rua ao fundo. Parecia que estava num filme dos anos 30, onde a qualquer momento um gângster poderia surgir e nos atacar. Fomos em direção ao centro da cidade, onde uma fila na rua anunciava uma multidão que estava ali somente para conhecê-lo pessoalmente. No banco de trás, um vestido vermelho bordado. Atendendo ao seu pedido, coloquei-o e saí do carro sendo levada ao encontro de Colt, que já dentro do teatro, recebia seus convidados. Vestido assim, The Spirit, circulava por entre pessoas que o olhavam curiosas.

Quanto a mim, me senti numa história de F.Scott Fitzgeral. Opa! Dele não, de Will Eisner. Era a dama que desfilava de vermelho e atraía os olhos de todos por ser a companheira dele, do homem mais misterioso que o Brasil já recebeu em seu território. Nem Bruce Wayne consegue competir com o charme desse habitante da noite de Central City. De uma City a outra, tive minha noite de aventura.


Não. Isso não foi um sonho. Fui mesmo ao encontro de The Spirit... pelo menos na minha imaginação!