domingo, 8 de março de 2009

'PDV Classics'

A coluna de cinema do 'Blog PDV'.

'O Enigma do Outro Mundo' dirigido por John Carpenter. Clássico do cinema de suspense e terror. Surgiu no cinema em 82. Uma ameaça mortal vinda do espaço. Uma base de estudos na Antártica. Um cão aparentemente normal. Um vírus que se infiltra no organismo humano através da corrente sanguínea. Aos poucos a transformação ocorre e esse ser, que por fora é humano, por dentro é o monstro que espera atacar mais uma vítima para se proliferar.

O filme conta a história de uma expedição científica americana que se estabelece na Antártica. A normalidade da situação se altera quando um helicóptero norueguês surge perseguindo o que parece ser um simples cachorro, que termina chegando à base americana.

A nave explode num acidente e, acolhido pelos americanos, o cão logo demonstra um comportamento estranho, sendo colocado no canil junto com os outros animais da base.O que vem a seguir é uma das melhores cenas do filme, quando o misterioso cachorro se revela uma criatura disforme; uma espécie de transmorfo que tenta absorver os outros cães, digerindo-os com enzimas e tentáculos asquerosos e nauseantes. Atraídos pelo inferno deflagrado no canil, os pesquisadores, aterrorizados, mal conseguem incinerar o monstro antes de serem atacados por ele. Os legistas da base se estarrecem ao examinar o que restou do "cão transmorfo" e concluir que a criatura estava tentando copiar os outros cachorros, para substituí-los como réplicas perfeitas. Na busca por respostas para a origem do monstro, uma equipe é mandada à base dos noruegueses.

O que eles encontram lá, porém, é apenas uma estação devastada e quase congelada, onde todos foram mortos ou simplesmente se suicidaram, como o norueguês que retalhou o próprio corpo com uma lâmina de barbear. O semblante de desespero do pobre diabo e os filetes de sangue jorrando do seu corpo, congelados pelo frio excessivo, fazem dessa cena um momento inesquecível do filme. Os americanos não tardam a descobrir que a destruição à sua volta foi uma tentativa dos próprios pesquisadores noruegueses de impedir que algo, ou alguém, conseguisse escapar vivo dali... Neste ponto, o expectador já se pergunta que ameaça tão sorrateira e terrível poderia ser aquela, capaz de gerar tanta morte e loucura. A impressão que você tem é a de que um frio muito mais penetrante que o da Antártica corre por sua espinha...

Antes de voltar a sua base, os americanos encontram os restos de outra criatura que foi queimada às pressas pelos finados noruegueses. Desconhecendo o perigo que aqueles restos fumegantes de carne e cartilagens queimadas representam, eles resolvem levar o achado para estudos em sua estação.
O que vem em seguida é uma reprodução do que teria acontecido na própria base norueguesa. Sistematicamente, os americanos começam a ser atacados pela estranha criatura e apenas tarde demais deduzem que uma ameaça alienígena presa no gelo a milhares de anos foi libertada. Seu objetivo: absorver todos os seres vivos do planeta e substituí-los por cópias perfeitas.

O mais interessante no filme é que Carpenter, ao contrário da versão original na qual se baseou, optou por não retratar o alienígena como uma criatura humanóide ou equivalente. Sua descrição para o monstro é a de um vírus transmitido pelo sangue, onde cada partícula age de forma independente (como se defender de um predador assim?). Dessa forma, as deformidades que vemos ao longo das cenas (e são muitas, para o deleite dos fãs) são o resultado da tentativa do alienígena em copiar seus alvos, muitas vezes juntando partes de outras vítimas previamente assimiladas, como no caso da gigantesca criatura que aparece no clímax no filme... Vale mencionar também a cena memorável da cabeça com pernas de aranha e olhos de caramujo que, separada do corpo, tenta fugir dos lança-chamas dos americanos.

A película é uma produção com muitas qualidades técnicas e criativas. Prova disso é que até mesmo a atuação do aspirante a astro Kurt Russell consegue ser convincente, como o piloto de helicóptero MacReady e personagem principal do filme. Obviamente que não poderiam faltar os elogios para os efeitos especiais de Rob Bottin, um nobre desconhecido, mas muito competente em seu trabalho. Uma curiosidade é que o mestre Stan Winston ajudou na concepção da cena do cachorro-coisa. A direção de John Carpenter é excelente, conseguindo imprimir o clima de suspense e tensão necessários ao filme e impedindo que assistamos a mais um daqueles filmecos ridículos de extraterrestres em roupas de borracha. Imperdível.