sábado, 4 de abril de 2009

A4L Temas

Há cerca de dois meses atrás, fui convidada por Michel para criarmos alguma coisa em comum. Do primeiro post, falando sobre o Cannavaro, até esse aqui, foram momentos de descontração que acabaram rendendo mais idéias para ele. Uma delas é a de ele escrever uma coluna cujo foco seria debater questões relacionadas ao mundo do futebol. Assim nasceu, a 'A4L Temas'. E tive a honra de ser convidada para ajudá-lo nesse post que trata dos campeonatos mais fortes do planeta.
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A partir deste mês, uma nova série que objetiva trazer à luz do debate, temas interessantes e polêmicos do mundo da bola.

E, para estrear este espaço, nada melhor do que um assunto bastante discutido em toda mídia esportiva brasileira e mundial, mas, sobretudo, esquentando a conversa entre amigos fascinados pelo esporte.

QUAL É O CAMPEONATO NACIONAL MAIS FORTE DO MUNDO?

Por Michel Costa e Cyntia Santana.

Faz parte do senso comum que entre os anos 60 e o fim da década de 80 o Campeonato Brasileiro era a liga nacional mais forte do mundo. O maior argumento para defender essa tese era a presença quase maciça dos grandes craques brasileiros atuando em nosso território e a consideravelmente baixa migração de atletas de qualquer nacionalidade para clubes de outros países.

A partir do final dos anos 80, o mais normal foi ouvirmos dizer que tal honra passou a ser da Itália com sua liga abarrotada de astros, equipes fortes e hegemonia em gramados europeus.

E hoje? Qual seria o campeonato nacional mais forte do mundo? Uma rápida olhada no desempenho dos clubes britânicos nas últimas edições da UEFA Champions League e as milionárias quantias que circulam na Premier League indicam a vantagem dos ingleses, certo?

Bom, muita gente não pensa assim. Para essas pessoas, Itália e Espanha possuem ligas mais equilibradas, com equipes médias e pequenas mais tradicionais e competitivas.

Para tentar elucidar esse caso, decidimos reunir informações da última década acerca dessas três grandes ligas da Europa e responder essa difícil pergunta. Para referendar o estudo, adotamos alguns critérios por ordem de importância:

1º CRITÉRIO - DESEMPENHO DOS CLUBES EM COMPETIÇÕES CONTINENTAIS.

Escolhemos este como primeiro critério, porque de nada adianta uma liga ser competitiva internamente se, fora de seus domínios, seus participantes não conseguirem desempenhar um bom papel.

Desta maneira, tomando como base os últimos dez anos, temos os seguintes panoramas:

Cinco primeiros anos (temporadas 1998/9 a 2002/3) – A Espanha comanda:

ESPANHA.

UEFA Champions League (UCL): 2 campeões, 2 vice-campeões, 4 nas semifinais, 5 nas quartas-de-finais, 2 nas oitavas-de-finais e 3 nas primeiras fases.

UEFA Cup (UC): 1 vice-campeão, 2 nas semifinais, 7 nas quartas-de-finais, 4 nas oitavas-de-finais e 9 nas fases preliminares.

INGLATERRA.

UEFA Champions League (UCL): 1 campeão, 2 nas semifinais, 6 nas quartas-de-finais, 2 nas oitavas-de-finais e 2 nas primeiras fases.

UEFA Cup (UC): 1 campeão, 1 vice-campeão, 1 nas semifinais, 2 nas oitavas-de-finais e 16 em fases preliminares.

ITÁLIA.

UEFA Champions League (UCL): 1 campeão, 1 vice-campeão, 2 nas semifinais, 4 nas quartas-de-finais, 5 nas oitavas-de-finais e 2 nas primeiras fases.

UEFA Cup (UC): 1 campeão, 4 nas semifinais, 1 nas quartas-de-finais, 8 nas oitavas-de-finais e 8 nas fases preliminares.

Neste primeiro período, não é difícil notar a superioridade espanhola na UEFA Champions League. O Real Madrid foi campeão duas vezes (2000 e 2002) e o Valencia foi vice-campeão em duas oportunidades (2000 e 2001). Na Copa da UEFA, a superioridade era italiana com a Espanha por perto.

Com estes dados podemos dizer que a Espanha dominava o cenário geral, com Itália em segundo e Inglaterra em terceiro.

Cinco últimos anos (temporadas 2003/4 a 2007/8) – A Inglaterra vira o jogo:

INGLATERRA.

UEFA Champions League (UCL): 2 campeões, 3 vice-campeões, 5 nas semifinais, 2 nas quartas-de-finais, 6 nas oitavas-de-finais e 1 na primeira fase.

UEFA Cup (UC): 1 vice-campeão, 1 na semifinal, 2 nas quartas-de-finais, 6 nas oitavas-de-finais e 7 nas fases preliminares.

ESPANHA.

UEFA Champions League (UCL): 1 campeão, 3 nas semifinais, 2 nas quartas-de-finais, 9 nas oitavas-de-finais e 4 nas primeiras fases.

UEFA Cup (UC): 3 campeões, 2 vice-campeões, 2 nas semifinais, 2 nas quartas-de-finais, 5 nas oitavas-de-finais e 6 nas fases preliminares.

ITÁLIA.

UEFA Champions League (UCL): 1 campeão, 1 vice-campeão, 1 nas semifinais, 7 nas quartas-de-finais, 4 nas oitavas-de-finais e 5 nas primeiras fases.

UEFA Cup (UC): 2 nas semifinais, 3 nas quartas-de-finais e 13 nas fases preliminares.

Período marcado pela virada no cenário top da Europa. Manchester United, Liverpool, Chelsea e Arsenal agora dão as cartas na UEFA Champions League. A Espanha caiu do primeiro posto para o terceiro lugar. Entretanto, seu desempenho na Copa da UEFA é infinitamente superior à concorrência.

No plano geral, a Inglaterra aparece bem distante de Espanha e Itália.

Apesar dos últimos três títulos da UEFA Champions League terem sido divididos de maneira igual entre os países (Barcelona 2006, Milan 2007 e Manchester United 2008), a Inglaterra posicionou incríveis sete times entre os doze semifinalistas possíveis. Em outras palavras, mais da metade dos semifinalistas são ingleses hoje.

Por outro lado, o desempenho dos britânicos na Copa da UEFA não é bom, mas ainda é melhor do que a participação italiana que está muito abaixo do que se espera de equipes consideradas competitivas.

Assim, dentro do critério “desempenho dos clubes em competições continentais” temos a Inglaterra em primeiro e bem distante da segunda colocada Espanha, que é seguida de perto pela Itália.

No entanto, é bom frisar que o segundo escalão ibérico se mostra muito mais competitivo que os rivais e isso será bem explicado no tópico seguinte.

2º CRITÉRIO - COMPETITIVIDADE INTERNA DAS LIGAS.

O segundo critério se justifica a partir do momento em que não se faz uma liga forte sem muitos times fortes. Não é suficiente ter os times mais poderosos do continente se, internamente, não há competitividade.

Baseado no aproveitamento interno do campeão, do sétimo, do décimo quarto e do último colocado (mesmo no período em que a Itália só contava com 18 participantes) e na distância entre o primeiro e o último podemos ter uma ideia do quão competitivas são as três ligas em destaque.

Também tomando como base os últimos dez anos temos o seguinte panorama:

Cinco primeiros anos (temporadas 1998/9 a 2002/3)

INGLATERRA.

73,6% (aproveitamento médio do campeão),

49,2% (aproveitamento médio do sétimo colocado),

39% (aproveitamento médio do décimo - quarto),

22,4% (aproveitamento médio do último colocado),

51,2% (distância média entre o primeiro e o último colocado).

ESPANHA.

66,8% (aproveitamento médio do campeão),

49% (aproveitamento médio do sétimo colocado),

39,8% (aproveitamento médio do décimo - quarto),

28,6% (aproveitamento médio do último colocado),

38,2% (distância média entre o primeiro e o último colocado).

ITÁLIA.

71% (aproveitamento médio do campeão),

50,2% (aproveitamento médio do sétimo colocado),

37,6% (aproveitamento médio do décimo - quarto),

20% (aproveitamento médio do último colocado),

51% (distância média entre o primeiro e o último colocado).

Neste período, ao mesmo tempo em que a Espanha desempenhava bom papel na Europa, também mantinha o maior nível de competitividade interna.

Cinco últimos anos (temporadas 2003/4 a 2007/8)

INGLATERRA.

79,2% (aproveitamento médio do campeão),

49% (aproveitamento médio do sétimo colocado),

37,8% (aproveitamento médio do décimo - quarto),

21% (aproveitamento médio do último colocado),

58,2% (distância média entre o primeiro e o último colocado).

ESPANHA.

71% (aproveitamento médio do campeão),

50,8% (aproveitamento médio do sétimo colocado),

40% (aproveitamento médio do décimo - quarto),

23,4% (aproveitamento médio do último colocado),

47,6% (distância média entre o primeiro e o último colocado).

ITÁLIA.

79% (aproveitamento médio do campeão),

46,2% (aproveitamento médio do sétimo colocado),

35,8% (aproveitamento médio do décimo - quarto),

22,2% (aproveitamento médio do último colocado),

56,8% (distância média entre o primeiro e o último colocado).

De posse dessas informações, notamos que, desde o primeiro período, a Inglaterra apresenta a maior disparidade percentual entre o primeiro e o último colocado, seguida pela Itália. Do outro lado, a Espanha apresenta nas duas ocasiões a menor diferença entre os competidores.

É bom observar que o desempenho percentual das equipes consideradas de media classifica é praticamente o mesmo durante toda a década avaliada.

No entanto, o que mais chama a atenção é fato da distância entre os extremos estar aumentando cada vez mais nas três ligas. Confirmando esse pensamento, temos que nas últimas três temporadas, esse distanciamento se ampliou para 62% (Inglaterra), 48% (Espanha) e 57,7% (Itália). Mesmo assim, a desigualdade de forças na liga espanhola se mostra bem mais tolerável que nas concorrentes. Ou seja, os ibéricos apresentaram durante os últimos dez anos a maior competitividade interna.

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3º CRITÉRIO – DIVERSIDADE DE CAMPEÕES E DE VAGAS EUROPÉIAS.

Uma importante característica de uma liga competitiva é a variedade de equipes que são campeãs ou que se classificam para as competições continentais. Quanto mais elitizado for campeonato, maior se tornará a distância financeira e técnica entre seus participantes.

Como consequência, as posições mais relevantes ficam restritas a um seleto grupo, o que inibe o crescimento dos pequenos e médios, algo pouco recomendado dentro de uma economia esportiva saudável.

Vejamos então como se deu a distribuição dos títulos e vagas européias na última década:

Cinco primeiros anos (temporadas 1998/9 a 2002/3)

INGLATERRA.

Campeões: Manchester United (4) e Arsenal (1).

Champions League. 6 times diferentes se classificaram: Manchester United e Arsenal (5); Chelsea e Liverpool (2); Newcastle e Leeds (1).

Na Copa UEFA, 13 times distintos estiveram presentes: Leeds e Chelsea (3); Blackburn Rovers, Liverpool e Newcastle (2) e Leicester, Aston Villa, Fulham, Tottenham, West Ham, Manchester City, Southampton e Ipswich Town (1). Deste grupo, nove (destacados em azul) não participaram da Champions League nos cinco anos.

ESPANHA.

Campeões: Real Madrid (2); Barcelona, Deportivo La Coruña e Valencia (1).

A Champions League, contou com 7 times neste período: Real Madrid (5); Barcelona e Deportivo La Coruña (4); Valencia (3); Mallorca (2); Real Sociedad e Celta de Vigo (1).

Na Copa UEFA, 11 esquadras garantiram a presença: Celta de Vigo (4); Zaragoza e Valencia (2); La Coruña, Atlético Madrid, Alavés, Rayo Vallecano, Espanyol, Barcelona e Málaga (1). Cinco (azul) não se classificaram para Champions nesses anos.

ITÁLIA.

Campeões: Juventus (2); Milan, Lazio e Roma (1).

A Champions League teve a participação de 7 times: Milan, Juventus e Lazio (4); Internazionale (3); Roma e Parma (2) e Fiorentina (1).

11 times na Copa UEFA: Roma e Udinese (3); Internazionale, Parma e Fiorentina (2); Milan, Juventus, Lazio, Chievo, Perugia e Bologna (1). Sendo que desses, quatro (azul) não estiveram na Champions League.

Neste período, observamos que no campeonato inglês apenas dois times alçaram o troféu de campeão. Nas ligas concorrentes este número sobe para quatro. Na Terra da Rainha, o privilégio da Champions também é para poucos. Dos treze times diferentes que se classificaram para a Copa da UEFA, nove não marcaram presença na competição maior. Ao passo que, na Espanha e na Itália, este número é bem menor.

Cinco últimos anos (temporadas 2003/4 a 2007/8):

INGLATERRA.

Campeões: Manchester United e Chelsea (2); Arsenal (1).

A Champions League contou com 5 participações: Manchester United, Arsenal, Liverpool e Chelsea (5); Everton (1)

Na Copa UEFA, 10 times marcaram presença: Tottenham (3); Newcastle, Middlesbrough, Bolton, Blackburn, Everton (2). West Ham, Aston Villa, Portsmouth, Manchester City (1). Desses, nove (azul) não fizeram parte da Champions League em nenhuma temporada.

ESPANHA.

Campeões: Real Madrid e Barcelona (2); Valencia (1).

Na Champions League, nove times marcaram presença: Real Madrid e Barcelona (5); Valencia (3); Villarreal (2); Atlético de Madrid, Sevilla, Betis, Osasuna, Deportivo La Coruña (1).

Já na Copa UEFA, 11 times: Sevilla (4); Villarreal, Zaragoza, Espanyol (2); Athletic Bilbao, Osasuna, Celta de Vigo, Atlético Madrid, Getafe, Racing Santander, Deportivo La Coruña (1). Aqui, seis (azul) não fizeram parte do grupo que disputou a Champions League.

ITÁLIA.

Campeões: Internazionale (3); Milan e Juve (1).

A Champions League recebeu oito participações italianas diferentes: Inter (5); Milan e Roma (4), Juventus (3), Udinese, Fiorentina, Chievo e Lazio (1).

Dos 11 times na Copa UEFA: Sampdoria, Palermo (3); Parma, Udinese (2); Lazio, Roma, Livorno, Fiorentina, Empoli, Napoli, Milan (1). Seis (azul) não participaram da Champions League durante o período.

Neste critério, no que diz respeito à distribuição dos títulos, houve diminuição na Espanha e na Itália, algo que indica a crescente, e danosa, elitização dos campeonatos.

No que diz respeito à distribuição de vagas para a UCL, a Inglaterra segue como a menos democrática das ligas, com as vagas ficando quase sempre com o chamado Top4, composto por Manchester United, Arsenal, Liverpool e Chelsea. E se lembrarmos que a classificação do “intruso” Everton se deu em 2005 e que nesta temporada o quarteto deve voltar a ocupar os primeiros postos, notamos que essa hegemonia está longe de acabar.

Portanto, no terceiro critério “diversidade de campeões e de vagas européias”, Espanha, em primeiro, e Itália em segundo, se mostram mais democráticas que a Inglaterra, cada vez mais dominada por sua elite.

4º CRITÉRIO – PODERIO FINANCEIRO DAS LIGAS.

Este, que para muitos poderia ser até o primeiro critério, acabou ficando como último, por uma simples razão: no futebol, felizmente, dinheiro ainda não é tudo. Sem a devida organização e um projeto esportivo sólido, não há dinheiro nenhum que resolva.

Além disso, a Inglaterra, que hoje é o paraíso financeiro do futebol mundial, quando vista mais de perto sob a ótica de um mundo em crise, se mostra perigosamente instável.

Abaixo, baseado em detalhado estudo realizado pelo site do jornal português Expresso, uma amostra da atual situação financeira dos maiores clubes europeus da atualidade:

INGLATERRA.

Manchester United

Orçamento: 328 milhões de euros. Dívida: 770 milhões de euros.

Chelsea

Orçamento: 283 milhões de euros. Dívida: 935 milhões de euros.

Arsenal

Orçamento: 278,5 milhões de euros. Dívida: 490 milhões de euros.

Liverpool

Orçamento: 199 milhões de euros. Dívida: 507 milhões de euros.

Tottenham

Orçamento: 153 milhões de euros. Dívida: 22 milhões de euros.

Newcastle

Orçamento: 129 milhões de euros. Dívida: 88 milhões de euros.

ESPANHA.

Real Madrid

Orçamento: 400 milhões de euros. Dívida: 200 milhões de euros

FC Barcelona

Orçamento: 380 milhões de euros. Dívida: 190 milhões de euros

Valencia

Orçamento: 120 milhões de euros. Dívida: 430 milhões de euros

ITÁLIA.

Milan

Orçamento: 293 milhões de euros. Dívida: 316 milhões de euros

Internazionale

Orçamento: 221 milhões de euros. Dívida: 418 milhões de euros

Juventus

Orçamento: 186 milhões de euros. Dívida: Não tem dívida.

Roma

Orçamento: 157 milhões de euros. Dívida: 75 milhões de euros.

O panorama financeiro descrito acima, evidencia uma situação financeira pouco saudável dos grandes clubes ingleses.

O Chelsea deve mais do que o triplo de seu orçamento. Mesmo que a maior parte da dívida seja com seu próprio dono, o russo Abramovich, a situação do clube não é nada segura, já que o citado bilionário perdeu mais da metade de sua fortuna devido a crise financeira global.

Outro que se apresenta em momento perigoso é o Liverpool, que deve cerca de duas vezes e meia o que arrecada anualmente.

Por sua vez, o Manchester United, que já apresenta um superávit primário, pode a médio/longo prazo, quitar o empréstimo que os Glazers fizeram quando de sua compra.

Em situação mais cômoda vive o Arsenal que possui a menor dívida entre os grandes, um elenco jovem e um estádio rentável que, em breve, deve tornar o clube auto-suficiente.

Na Espanha, o Real Madrid apresenta, dentro de seu milionário orçamento, contas administráveis. Além disso, acaba de anunciar um faturamento recorde nesta temporada.

Entretanto, nenhum clube serve tanto como exemplo de que dinheiro não é sinônimo de sucesso no futebol como o Madrid. A recente eliminação, a quinta consecutiva nas oitavas-de-final da UCL diante do Liverpool, detentor de metade de seu orçamento, mostra que sem o devido planejamento estratégico, nem um gigante se mantém de pé.

Ainda sobre os espanhóis, o Barcelona apresenta um panorama semelhante ao do rival. Em contrapartida, o Valencia, afundado em dívidas, parece longe das glórias de outrora.

Na Bota, a campeã Inter se mostra mais vulnerável que os rivais locais, com uma dívida que supera em quase o dobro o seu faturamento. Apesar desse cenário, especula-se que o mandatário interista, Massimo Moratti, pretende investir cerca de 100 milhões de euros em novos jogadores. Tudo para agradar o técnico José Mourinho.

Embora fature mais, o Milan vive situação semelhante. Mas, assim como os Nerazzurri, tem no patrão Silvio Berlusconi a chave para seguir com sua política competitiva.

Quem se encontra em melhor situação é a Juventus. Sem dívidas e reconstruindo seu estádio, a Vecchia Signora tem tudo para retomar sua luta por títulos importantes.

Enquanto isso, a Roma, que apresenta orçamento mais modesto, também não sofre grandes riscos pelos 75 milhões de euros que deve. Logicamente, ficar de fora da próxima Champions não seria algo bem vindo.

Situação confortável vivem os grandes da Bundesliga. Bayern de Munique, Hamburgo e Werder Bremen não tem dívidas e possuem estádios modernos. Algo explicável por suas políticas sóbrias e caminhada à margem no inflacionado mercado de contratações.

Deste modo, embora incluídos num cenário mais rico, os clubes ingleses apresentam, em geral, dívidas maiores, além de não contarem com parceiros e proprietários tão fiéis como as outras ligas em questão. Aventureiros como o xeique Mansour, que acabou de comprar o Manchester City, sob o pretexto de promover o nome da cidade de Abu Dhabi, também não contribuem para o futuro da Premier League.

CONCLUSÃO.

Da Espanha para a Inglaterra. Desta maneira, o topo do cenário europeu se moveu nos últimos dez anos. A força do quarteto formado por Manchester United, Arsenal, Liverpool e Chelsea, cada vez mais dominante, garante a presença dos ingleses como proprietários do melhor campeonato do planeta.

Se antes jogadores como Mcmanaman, Owen e Vieira deixavam a Terra da Rainha em busca de um time capaz de vencer a UEFA Champions League, hoje, essa decisão se mostraria pouco inteligente.

De maior força do início da década, a Espanha deixou o primeiro lugar por algumas razões: a equivocada política de contratações do gigante Real Madrid e a queda de equipes antes tradicionais como Valencia e Deportivo La Coruña. Hoje, apenas o Barcelona vem se mostrando capaz de competir no mais alto nível.

Impossível não citar a queda da Serie A italiana na última década. De liga mais forte da Europa, atualmente ocupa o posto de terceira força do continente. Muito disso se deve a estagnação das gestões dos clubes, estádios obsoletos e excessiva dependência das cotas de TV. No entanto, os maiores problemas se deram nas administrações fraudulentas de alguns clubes e no escândalo de manipulação de resultados e esquema de bastidores, conhecido como Calciopoli.

Neste cenário, notamos, claramente que o futebol passa por mais um de seus famosos ciclos. O Brasil já teve a maior liga do mundo por um bom período. A Inglaterra já dominou anteriormente o cenário europeu entre o fim da década de 70 e o início doa anos 80. Depois, foi a vez da Serie A dar as cartas. A Espanha começou dominando no século XXI. E agora a Inglaterra retomou a hegemonia.


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