terça-feira, 21 de abril de 2009

Planeta Água

Quando era criança, o mar me fascinava. Desde os meus primeiros dias de vida, quando meus olhos mal se abriam e eu nem sabia quem era e o que fazia nesse mundo, ele já se mostrava ao meu alcance. Lá do outro lado da rua. Em uma das histórias de família, diz a lenda que minha primeira foto foi tirada em um calçadão, tendo a praia de Copacabana como pano de fundo.

Conforme ia ficando mais velha, esse mundo azul que fascinava, me dava medo pela sua grandeza e infinitude. Os passeios para Angra dos Reis eram aguardados. Menos era minha vontade de entrar na água, quando a via chegando próxima aos meus pés. Preferia apenas sentar contemplar o que via diante de meus olhos. Hábito esse, que cultivo até hoje. Vou à praia e me sento. Da areia observo as ondas que vem e vão. Olho o horizonte e penso no pouco que faço para me dar a chance de viver momentos como esse.

Na adolescência, sonhava em ser oceanógrafa. Queria desvendar os mistérios desse planeta que existe dentro do nosso. Conhecer as vidas que nele habitam. E até hoje, ao ver programas que falam sobre os tais 'mistérios das profundezas' paro o que estou fazendo e assisto com atenção. Até mesmo quando por alguns dias deixo de pensar no mar, ele surge novamente nas imagens oníricas do despertar tardio de uma manhã de feriado, ou de um domingo de sol.

Cresci achando que poderia sair por aí e conhecer os lugares mais inóspitos do planeta. É verdade. Dentro de mim, o mundo é um lugar sem fronteiras. O mais longe que cheguei foi à Patagônia, que considero a viagem mais bonita que fiz até hoje. O contato com a chamada Terra do Fogo, me fez ver o mundo com outros olhos. Hoje ele me faz falta. Mas nunca é tarde para louvar a mãe de todos nós. A que garante nosso sustento e equilíbrio de forças do universo.

Essa mãe que carrega dentro de seu útero o fruto das gerações que estão por vir é a criação mais perfeita de Deus para harmonizar com nossa existência. Ela é o nosso primeiro lar e merece respeito e celebração.