terça-feira, 5 de maio de 2009

The Boat Is Sinking

Ranieri na Juve: Até Inspetor Clouseau faria melhor.

Roma e Juventus. Duas realidades e um único dilema: o que fazer no futuro?
A resposta não sou eu quem vou dar, mas acho bom que seus dirigentes comecem a pensar logo, logo numa solução, sob pena de se perder mais uma temporada. É. Mais uma. O que acontece hoje é reflexo de decisões equivocadas no passado.

Começando pelo time de Turim.
O Calciocaos trouxe para Turim uma nova ordem. De cara um novo presidente e novos conselheiros. Gente nova, mas sem muita experiência no mundo do futebol. A Serie B foi um obstáculo menos difícil do que poderia parecer de início. A saída de alguns jogadores como Cannavaro, Zambrotta e Ibrahimovic, que não suportavam a idéia de descer de divisão, não enfraqueceu o time de modo drástico. Didier Deschamps assumiu. Serie A garantida com méritos.

Enquanto isso (na Sala de Justiça!) em Parma, no clube da cidade, Claudio Ranieri assumia já no final do campeonato, com o time quase rebaixado prometendo mudanças. Lentamente o time se recuperou a tempo de livrar-se da Serie B.

Hora de acertar as contas, certo? Então vamos lá. Por divergências com a nova diretoria, escândalos como declarações sobre a tal blusa cor-de-rosa, deixaram Didier Deschamps sem prestígio. Nos jornais começaram as especulações. O nome mais forte era o de Cesare Prandelli, que estava na Fiorentina. Em Parma, Ranieri declara que não continua no time. Alguns dias depois, ele assina com a Juventus. Eu fiquei sem chão. Ranieri não parecia ser o nome ideal para dar à Juve uma consistência que o momento exigia. Pensar em títulos era prematuro, mas a Juve precisava de um timoreiro, coisa que ele nunca foi. Aliás, o que ele venceu como treinador?

Me lembro de escrever que ele tinha pinta de galã. Ele parece mesmo é com o Steve Martin, um fanfarrão ás avessas. Galã? Não. Fake man! Entre idas e vindas, ao fim da temporada, Ranieri continuou. Uma decisão mais do que equivocada. Além de ser um treinador sem recursos, Ranieri já mostrava alguma dificuldade para lidar com alguns jogadores do elenco.

Nesta temporada, ao que consta, as relações entre o grupo foram se deteriorando. Trezeguet insatisfeito fora relegado ao banco de reservas. O caso culminou com um episódio ridículo em que a mãe do atacante na partida em que o filho estava afastado do elenco chegou ao estádio e exibiu durante a partida uma faixa de protesto. Uma indireta ao treinador. Amauri? Quem? Ah, aquele brasileiro. Cadê? Não é hora de se fazer uso de novas forças?

No último domingo, discussão com Camoranesi nos vestiários. E Gigi Buffon chuta o balde. Volta para o campo de jogo antes do fim do intervalo. Leitura labial: 'Não aguento mais!' Del Piero substituído aos 45 minutos de jogo. Partida empatada de forma bisonha. Lances inacreditáveis de desatenção não são nem de perto a sombra do que se espera de uma Juventus.

Os dirigentes tem que apagar o fogo, mas parecem não saber como. Em campo, o segundo lugar foi dado de bandeja para o Milan. A semifinal da Coppa Italia disputada mediocremente contra a Lazio. E agora? Tentar salvar o terceiro lugar, para evitar as preliminares da Champions League. Como? Não sei. Definitivamente, é necessário resgatar o Stile Juve.


Na capital romana...


Spelletti: Ainda não acabou o campeonato? Ai, meu Deus! E agora?

... o tema do momento é Spalletti. Ele é uma figura a parte. Incrível como ele tem a capacidade de romper relações de trabalho sem deixar saudades. Foi assim na Sampdoria, com o time rebaixado no fim da década de 90. Foi assim no Venezia e por último na Udinese. E parece que na Roma o epílogo vai ser o mesmo.

Recapitulando: Spalletti saiu corrido de Udine após literalmente namorar a Roma e negar o flerte até o fim. Pedia tempo ao patron Pozzo para renovar o contrato e no fim, um belo dia, chegou na sede do clube e pediu demissão. Inicialmente queria sair sem pagar a multa recisória e uma queda de braço se iniciou. A coisa durou bem umas duas semanas, até que ele, sem saída, engordou a conta do seu ex-clube com a gorda multa recisória. No dia segunite, o acordo com a Roma saiu.

Depois, na temporada que se seguiu, era uma troca de acusações constantes entre ele e seu ex-presidente. Os confrontos entre Roma e Udinese foram imperdíveis! A semana toda de fofocas e troca de farpas nos jornais. A torcida friulana não perdoou 'Spalla', mas já passou. Fato é que depois dele a Udinese nunca mais foi a mesma.

Agora, o careca de Certaldo está no olho do furacão mais uma vez. É dado como o provável substituto de Claudio Ranieri. Só que Spalletti não tem muito aquela cara de quem disfarça quando algo acontece. A cara dele, sempre blazè, denuncia que há algo no ar...

A questão da Roma também tem raízes profundas com um passado de equívocos. E digo mais, de inexperiência para lidar com conflitos. No meu pouco conhecimento de trabalhadora no meio capitalista, vejo que administrar não é só fazer fluxo de caixa e somar 2 + 2 no final do mês. Você lida com conflitos o tempo todo e tem que ter habilidade para sair deles. Você precisa de uma equipe formada por verdadeiros escudeiros que vende seu peixe mesmo quando o mercado não quer saber de peixe e só pensa em caviar!

Há quantos anos você escuta que a Roma vai ser vendida? Há uns dois, no mínimo. Cada vez um dono diferente. Na chagada do Spalletti, o clube havia sido multado pela Fifa por causa da transferência de Philppe Mexes. Ficou uma ano sem contratar ninguém. E já havia burburinhos de venda para investidores estrangeiros, que nunca davam as caras. Aquele foi um ano perdido de mercado. Depois, idas e vindas de jogadores insatisfeitos e a contínua indecisão sobre vende ou não vende.

No ano passado, parecia tudo certo entre o clube e um investidor, George Soros. Deu-se a sensação de que ninguém no clube se moveu no mercado porque esperava que a aquisição fosse feita. Em campo, o time fez uma temporada razoável. Venceu a Coppa Italia e foi vice-campeã italiana mais uma vez.

Só que nesta temporada, deu tudo errado. O time jamais se achou e as fraturas de Spalletti e Totti e mais outros jogadores no elenco, apesar de negadas, eram evidentes. E nesse meio tempo, concentrações antecipadas, declarações de confiança nos jornais e nada, absolutamente nada de concreto sobre a possível sessão do clube. O silêncio vale mais do que mil palavras...

Após a derrota acachapante para a Fiorentina, mais um desses providenciais 'ritiri'. Durante a semana, Totti e De Rossi foram conversar com Rosella Sensi, pedindo para que a concentração fosse suspensa. Muito boazinha, a presidente, que não entende chongas de futebol (só de números que ele gera, se tanto) e do que acontece em treinos e no campo, aceitou o pedido de seus pupilos. Um ato que tirou a autoridade do treinador perante o grupo. Ah... E agora? Spalletti que não é dado a falar de negócios, já começou a dar suas alfinetadas sobre o futuro do clube que é desconhecido por todos.

Com tudo isso, a torcida da Roma está se voltando contra todos, até mesmo contra o treinador, que também não faz nada para apagar o fogo. Mas será que ele tem que fazer algo, quando ele nem sabe o que vai ser dele? Ele vai se enterrar no buraco mais uma vez. Tem gente que não aprende...

E você? O que acha? Roma e Juventus tem muito mais coisas em comum do que sonha nossa vã filosofia.


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