sexta-feira, 29 de maio de 2009

O Seu Limite Não É O Limite Do Mundo

Até três dias atrás, ele sorria...

Nelsinho Baptista a cada ano que passa, me surpreende mais, infelizmente, negativamente.

Ele me passa hoje a sensação de alguém que se esforça para deixar uma péssima impressão nos clubes por onde trabalha. No Sport, ele fez isso muito bem ao anunciar sua saída com a desculpa de que havia chegado ao seu limite. Queria eu saber que limite é esse a que ele se refere após discutir com um dos principais jogadores do elenco, Paulo Bayer e, segundo, fontes, desqualificá-lo na frente de outros jogadores do elenco? Ele sai e deixa o clima pesado, com um jogador exposto perante um grupo fragilizado.

Não acredito que um treinador experiente como ele ache que ser desclassificado honrosamente da Libertadores é algum limite. Com esse mesmo limite, ele havia conquistado o Campeonato Pernambucano e a Copa do Brasil. O que mudou então? Na verdade, acho que nada. O tempo passou e Nelsinho pouco evoluiu. A cada clube que chega, ele tem por regra discutir ou criar atritos com medalhões. Afasta quem ele nomeia de 'laranja podre' e segue com o grupo restante. Assim foi no São Paulo, Corinthians, Flamengo, Ponte Preta e por último, no Sport. Muitos dos seus trabalhos ficam pela metade. E com isso ele contrói uma reputação no meio que fica difícil de ser mudada. A de um treinador inconstante e problemático.

Na última edição da Trivela, Nelsinho Baptista foi entrevistado por Gustavo Hoffman. Em um dado momento, ao final, quando perguntado sobre a derrota do Santos para o Corinthians, em 2005, o treinador nitidamente perdeu as estribeiras e demonstrou irritação. Disse que não falava do passado dele, que gostaria de apenas restringir-se à sua experiência como comandante do Sport. Repetiu inúmeras vezes que para trás não voltaria, pois 'pessoas que olham para trás, ficam para trás.' Prefere não se lembrar do rebaixamento do Corinthians. Dos títulos que conquistou com o clube. Segundo o mesmo, isso seria fazer marketing e ele, com 58 anos não precisa mais disso.

Ora, acho que ele misturou alhos com bugalhos e o resultado saiu pior do que a encomenda. Por que não relembrar sua carreira? Medo? Insegurança? Acho que deveria ser o contrário. Provar que ele aprendeu com os erros que cometeu. Mas não. Preferiu esconder-se e esquivar-se do óbvio. Eu preferia ver um outro lado do Nelsinho.

Ele termina a entrevista dizendo que o seu passado as pessoas já conhecem. Verdade. Conhecem muito e pelo visto, ele comete os mesmos equívocos que cometera antes. Talvez por isso, ele se recuse a comentar sobre eles. Deve ser difícil ver que o tempo passa e que você ficou estagnado. Ainda hoje, relendo o conto de Benjamin Button de F.Scott Fitzgerald, o autor dá voz à personagem e diz: 'a vida é feita das oportunidades que temos, e também daquelas que deixamos passar.'