segunda-feira, 18 de maio de 2009

Um Marciano Na Serie A

Tradução e Adaptação do site Gazzetta.it por Cyntia

A história de sucesso do técnico que mudou a forma de comunicação com a mídia e que vence, principalmente porque se preocupa com os detalhes. Um vencedor que na Inter, se errou, foi apenas em algumas escolhas de mercado que se mostraram duvidosas. De qualquer parte alguém o quer ver. A presença de José Mourinho é comparada à chegada de um extraterrestre. O planeta em questão, a Serie A, foi conquistado muito antes da última partida que deu à Internazionale o título de tetracampeã italiana. Essa personagem de Setúbal deu ao futebol do país uma nova visão. Provocatória, conflitante, ao mesmo tempo detalhista, analítica e racional.

Mourinho já se disse de tudo um pouco. E a cada dito, ele vem e desmente os pessimistas e oxigena a motivação daqueles que como ele, só pensam em vencer. Conquistador. Fosse ele um navegador, a seu modo seria uma mistura de Colombo, pelo pioneirismo e desafio frente ao novo e Marco Polo pela coragem de ir além daquilo que o homem mais ambicioso de seu tempo poderia crer. Os três não aceitaram não como resposta. Não se intimidaram diante dos poderosos ou daqueles que acham que o mundo se resumia ao quintal de sua terra. E chegaram lá.

Prós e Contras
O impacto causado sobre a mídia até então não fora tão forte. Visto que a capacidade de comunicação de um homem pode atingir níveis elevadíssimos, e até mesmo ser igual àquela tática, chegou o momento de se abrir o debate sobre os méritos do treinador que herdou um grupo já pleno de títulos de Roberto Mancini. Um primeiro ponto. Ao se analisar a campanha de reforço do elenc,o que trouxe nomes como Quaresma, Muntari e Mancini, a diferença parece mais evidente. Eles vieram, e quem já foi, não deixou saudades. Um segundo ponto está relacionado ao jogo mostrado pelo time. A Inter à la Portuguesa, como aquela anterior, não encantou e acabou recorrendo aos velhos módulos de jogo para salvar-se em momentos de dificuldade. E um terceiro ponto, esse mais amistoso, revela a coragem de José para colocar em campo um jovem Santon. De promessa a quase realidade do futebol italiano. Maturidade e jogo de veterano. E ainda a utilização de Balotelli. Perdido no Inverno, recupareado na Primavera e em franca ascensão para os meses que se seguem. E para finalizar, o quarto ponto. A dicotomia que aflige torcida e dirigentes do clube neroazzurro. A obsessão pela vitória na Champions League. Vencer em casa se tornou pouco para Moratti, ansioso para colocar na sala de troféus aquele que lhe garante o lugar no Hall dos presidentes vitoriosos, como seu pai. E é desse ponto que a próxima missão do extraterrestre parte. Em busca do anel que falta, o da Europa que conta.

Balanço
É impossível negar o sucesso de alguém que venceu onde quer que tenha ido, e quase sempre na primeira tentativa. Seu trabalho de gestão do grupo chegou ao ápice com a crise na derrota para a Atalanta, em Bérgamo, janeiro passado. E mesmo com esse momento negativo, o grupo permaneceu unido em busca do objetivo principal. O que conta no futebol são os títulos conquistados e Mourinho já tem 2. A Suppercoppa, herança da Inter de Mancio e o Scudetto, com retoques portugueses temperados como uma 'pizza portuguesa' legítima.

Mourinho possui um caráter forte. Desperta raiva e simpatia. É dado a momentos de luz e sombra. Revela-se um homem sensível e tem postura de general. Leva seus homens para a batalha e não aceita sujeições. Sua força está aí. Em ser o que ele é, muitas vezes desprezando com classe quem o vê de rabo de olho. Preocupado apenas com seu trabalho. E em ajudar, quando pode, aqueles que tiveram menos sorte do que ele na vida. Empenhado em campanhas na África e solícito com alguns, que para ele, merecem sua atenção. É só perguntar a um menino tcheco, que em recente visita à Pinettina foi procurá-lo para apenas saudá-lo e garantir seu autógrafo. Além de receber o menino em campo, colocou-o a seu lado no treinamento, explicando-lhe detalhadamente os tipos de exercícios e suas frequências. E no fim, ainda o levou consigo para o almoço, colocando-o em sua mesa.


Precisa dizer mais? Como fã do campeonato italiano, resisti fielmente às investidas dominicais da Premier League e se teve alguém nesta temporada que me fez ver a Inter de uma forma mais light, esse alguém foi José Mourinho porque, apesar de alguns excessos midiáticos, ele é bom no que faz, e não se esconde na pela do falso modesto.
Parabéns aos interistas pelo título.
Parabéns ao Mourinho pela sua autenticidade. Nosso mundo cada vez mais formatado agradece a diferença que ele faz.

Mourinho: 'Vim, Vi e Venci. E 2 Vezes'