domingo, 7 de junho de 2009

O título mais óbvio para esse post seria algo como, 'Finalmente'. mas quero fugir do clichê neste domingo. Portanto, vamos deixá-lo para o final.

Nos últimos 4 anos, quem curte tênis, mesmo que só veja os Slams (por pura falta de tempo, confesso) como eu, testemunhou os inúmeros duelos nas quadras ao redor do mundo entre o suíço Roger Federer e o espanhol Rafael Nadal. O jovem torcedor do Madrid não dava chances para que Federer pudesse sentir o gosto de vencer o que considero o mais legal dos Slams: Roland Garros. Ele sempre batia na trave. A desilusão era enorme no final, e sempre tinha aquele que pensava que a razão de ser de Federer no circuito era uma só: vencer em Paris. Conquistar o único troféu de prestígio que faltava em sua enorme coleção.

No ano passado, já em Wimbledon, Federer sucubiu à enorme pressão de igualar o recorde de vitórias em Grand Slams que pertencia à Pete Sampras. Ele chorou em quadra, visivelmente abatido e tomado pela sensação de impotência diante de um super tenista que, até então era especialista em saibro. Rafa conseguira o que ele, Roger tentara em vão até aquele momento. Superar o desafio imposto àqueles que se sobressaem em um piso só e fazem disso seu modo de sobrevivência no circuito. nadal venceu Federer e de quebra o impediu de igualar o recorde que todos davam como favas contadas.

Veio o ano de 2009, e já relegado ao segundo posto de melhor do mundo, o tenista suíço parecia estar mais à vontade. Voltou a mostrar o tênis que o consagrara. Venceu o torneio ATP de Madrid em cima de Nadal, na quadra de saibro. Chegou na França não mais como favorito, mas podia ser visto como azarão. E tudo parecia conspirar a favor dele. Djokovic eliminado. nadal eliminado. A final veio. Não sem muita luta. Cinco sets contra Juan Martin del Potro.

Hoje, enfim, o garnde dia. Precisou de menos de duas horas para derrotar o sueco Söderling e vencer o torneio. Seu oponente não se rendeu fácil e até ali havia trilhado um caminho muito mais difícil. Desejava ver este dia. O dia em que Roger Federer conquistou Roland Garros e mais uma vez mostrou-se de corpo e alma para as câmeras. Ele chorou, e muito. Não à toa. Tirou um peso das costas. Não haverá mais quem, no futuro diga: 'Roger era bom, mas não ganhava no saibro de Paris.' Para muitos ainda vai ficar a dúvida de que se Nadal estivesse do outro lado, a vitória teria saído. mas como 'se' não vence jogos, o que fica para a história é que aos 27 anos ele completou o quarteto mais importante do tênis, igualou Pete Sampras e tem ainda muito jogo para mostrar e tempo para superar o ex-tenista americano.

Recebeu o torféu das mãos de Andre Agassi, o último jogador a ter vencido os quatro torneios que compõem o que chamamos de Grand Slam. E quando via a cerimônia na TV pensava no quanto me emocionei ao ver semana passada Figo ser aclamado pelos colegas de Inter e naquele momento percebi que mesmo o tênis ocupando o segundo lugar no meu coração, testemunhei uma dia que ficará na história desse esporte. De criança, pude ver crescer a minha paixão pela pequena bola verde limão, vendo em quadra grandes nomes como Lendl, Agassi, Becker e Sampras. E lembrei das madrugadas que passava em claro vendo o Australian Open na época de Lendl e sua incansável luta para vencer Wimbeldon. Os grandes tenistas são aqueles que se impõem grandes desafios, mesmo sem nunca tê-los superado. Foi assim com Ivan e com Sampras. Mas a história se encarregou de dar um final diferente para Agassi e Federer. Um final feliz.

Salve, Roger! Paris é toda sua.