domingo, 12 de julho de 2009

A Proposta

Sandra Bullock é atriz de comédias românticas. Que mal há nisso? Para mim, nenhum. Ao contrário. Seus filmes, que tem esse apelo popular, sobretudo para as mulheres, rende risadas e pequeninos momentos para reflexão.

Fui ao cinema ontem à noite, certa de que teria os meus, pois todas as vezes que assisto filmes semelhantes, confesso, imagino uma situação destas acontecendo comigo. Sei que não sou a única a me sentir assim, pois esses filmes são feitos para manter em dia o 'Complexo Cinderella'.

O filme em si é a história de uma executiva durona, prestes a ser deportada para o Canadá. Sob pressão e vendo seu trabalho, sua carreira e sua reputação ameaçados, ela propõe ao seu assitente a seguinte proposta: eles se casam para que ela obtenha a cidadania americana e possa permanecer no país. O detalhe é que ela tem o poder de detonar seus funcionários de forma implacável e cruel. É metida e não parece ter muitos amigos. Por incrível que pareça, o rapaz aceita, em troca de um cargo melhor no futuro.

O tom engraçado do filme é dado pelos momentos de falsa aproximação do pretenso casal, principalmente quando ela viaja para conhecer a família de 'seu noivo'. Para isso, Sandra é excelente. Ela consegue como poucas atrizes dar vida às suas personagens cômicas fugindo de clichês à la Renè Zewellger e sua Bridget Jones.

Esqueça a idéia de ver um filme diferente. Tudo nele é feito para trazer a aura de verossimilhança, quando confrontado com outros do gênero. Tem uma hisória previsível e um final em nada surpreendente. O típico filme americano, produzido para mera diversão. Bem, cinema é diversão, muitos vão dizer.

Desta forma, de fronte a situações embaraçantes que fazem o público dar boas risadas, do filme emerge um convincente casal, sem química alguma. A história casa perfeitamente. Até que a megera transforma-se numa princesa. São os momentos de fraqueza da personagem de Bullock, Margareth, que permitem que ela seja vista e admirada por seu par, Andrew. E me pergunto, não seriam esses momentos de delicadeza e juventude que nos permitem sermos vistos como seres humanos?

Minha resposta é sim. Mas existe aí um componete também humano que emerge no momento em que tentamos nos abrir para as relações: o medo da exposição, o receio de sermos vistos pelo outro da forma que somos, sem a 'maquiagem' que usamos dia-a-dia, seja no trabalho, como colegas, seja com amigos numa mesa de bar, ou mesmo com nosso companheiro, namorado, marido, ficante, o que seja.

Minha reflexão, apesar de ter brotado no momento em que via uma comédia romântica passa por aí. E talvez esteja em sintonia com meu momento atual. Será que consigo viver e me aceitar da forma que sou? Será que ao me olhar no espelho, não projeto para mim desejos que não fazem parte do meu jeito de ser para ser aceita com bons olhos pelas pessoas? Aonde entra o que eu quero mesmo, genuinamente para mim? Para minha vida? Uma pergunta ainda sem resposta.

Você deve estar se perguntando se recomendo o filme ou não? Levando-se em conta que meu público é masculino, não acho que vocês achariam graça no enredo. Mas acreditando que vocês não vivem sozinhos, terão momentos divertidos ao lado de seus pares, podem crer.

Ao sair do cinema, acabei rindo ainda mais, pois me descobri uma mulher que ainda tem a capacidade de sair de casa para ir ao cinema, sozinha e se divertir ao olhar para o lado e ver que mesmo achando que estou perdida no tempo, não sou a única.