domingo, 27 de setembro de 2009

'PDV' à la Italiana

Excepcionalmente neste final de semana, a coluna oficial do Calcio dá lugar a uma tentativa de reflexão. Ela começou na semana passada e culminou com um desabafo via Twitter com palavras que nem ouso reproduzir aqui.

Me chama a atenção da predileção da imprensa por essa ou aquela agremiação quando se trata do futebol brasileiro. Nunca acreditei que seria diferente com relação a uma equipe estrangeira. Afinal, os campeonatos são veiculados pelas emissoras de TV que devem fazer deles produtos atraentes aos consumidores. Mas cheguei ao ponto de não ter mais nenhuma dúvida. Hoje tenho uma certeza tão absoluta quanto a de Newton quando a maçã caiu em seu colo e ele 'descobriu' que existia a gravidade.

Veja o caso das emissoras do grupo ESPN, que começaram a transmitir nessa temporada o campeonato russo - novo destino de muitos jogadores brasileiros. Acredito que essa escolha tenha se baseado justamente nesse critério. Atender a uma suposta demanda do público nacional interessado em acompanhar a carreira de jogadores brasileiros que se espalham por ligas no mundo tão adoradamente classificado como globalizado.

Com o Calcio, isso não é diferente. Basta lembrarmos que a emissora Bandeirantes, no passado a detentora dos direitos de transmissão do Calcio para a TV aberta, voltou a mostrar o campeonato italiano para todo o país após a ida de Ronaldo para a Itália (deixou o Barça), para defender as cores da Inter de Milão. Antes disso, as transmissões eram intercaladas, e chegaram a mudar de mãos por um pequeno período de tempo para a recém criada Rede TV! que não detinha a mesma estrutura da concorrente, mas contava com um comentarista conhecido pelas mais diversas gerações de seguidores do futebol italiano: Silvio Lancellotti.

De uns anos pra cá, com a expansão da TV a cabo no país, as opções de programação passaram a ser um 'benefício' para os telespectadores. Mas mesmo assim, a questão da audiência ainda fala mais alto quando o assunto é escolher as partidas a serem transmitidas, sem contar com os horários das mesmas e a variedade de ligas que são mostradas atualmente. Hoje, temos pela TV os jogos do Alemão, Italiano, Espanhol, Francês, Português, Holandês, Inglês e agora o Russo. Sem contar o período de jogos do Brasileirão, competição doméstica cujos horários pouco coincidem com os as ligas estrangeiras.

Ora, acredito que a audiência deva ser uma fotor determinante, mas algo me chama a atenção. As TVs negociam os pacotes com as diferentes emissoras detentoras dos direitos de transmissão. Quero ressaltar, que no caso da Itália, a Sky vende internacionalmente o Calcio. A saída de Ronaldo da Internazionale (saiu para o Real Madrid) deixou um gap que essa squadra ocupava na nossa mídia pela presença do brazuca em campo. Algo justo se lembrarmos que naquela época, tínhamos as emissoras ESPN responsáveis pelas partidas mostradas no Brasil possuía dois canais nas TVs por assinatura. Sabia-se que a Inter era presença praticamente garantida nas salas e bares por esse Brasil. Dessa forma, um outro time, sujeito a variações semanais, ocuparia as outras duas faixas, já que ainda havia os instituídos anticipi e posticipi para cada rodada.

Hoje no país, o Calcio é transmitido por 3 canais distintos. Os contratos são negociados com a mesma Sky, mas algo mudou. O retorno de Ronaldo para a Itália (Milan), trouxe de volta o apelo para o futebol italiano. Junto com ele, a incessante busca da imprensa em colocá-lo como um eterno craque que, tendo recuperado mais uma vez a vontade de jogar na Itália, poderia transformar o monótono Calcio em um protudo viável aos seus seguidores no país e alavancar uma audiência ainda maior. A aventura do Fenômeno durou alguns meses. Veio a enésima contusão e o confinamento longe dos gramados. A tentativa de recuperar o prestígio do jogador foi transformada num épico: drama, paixão, glória e redenção.

Ele não voltou ao Calcio. Enquanto isso, a Internazionale de Milão, supostamente uma squadra de mais brasileiros, também estava presente nas tardes de sábado ou manhãs de domingo. E foi campeã uma, duas, três vezes. Mas nunca foi um time tratado com a mesma emoção. Era aquele time que estava lá porque devia estar, afinal vencia de semana a semana com futebol vistoso.

O Milan, não. Esse, independente de tudo, era tratado com deferência e merecia sistematicamente as escolhas dominicais, mesmo quando a fase não era das melhores. Hoje, a preferência continua sendo sua. A fase é das piores, mas há um algo a mais. O apelo de Leonardo no banco de reservas. A presença de Gaúcho no time e a permanência de Alexandre Pato na equipe. Tenho a constante sensação de que a simpatia rossonera passa por esses pontos. Enquanto isso, times cujas campanhas superam as dos rossoneri não estão presentes na sua TV. O que diga a Sampdoria, Fiorentina, Udinese, Parma e o Genoa, que desde a temporada passada se destacou na competição. A não ser em casos em que elas enfrentam times poderosos como Roma, Inter e Milan, você não saberá da existência delas. Vai ter que ler Gazzetta dello Sport, Corriere della Sera, assinar a Guerin Sportivo e comprar o anuário da Panini e não ser professor para ter dinheiro para manter esse luxo todo. E lógico, ter aí no mínimo umas três horas a mais no seu dia.

É indiscutível que o Calcio perdeu espaço para as outras ligas por motivos amplamente discutidos em mídia falada e escrita. Inclusive, partidas noturnas de sábado e domingo de equipes fora do eixo citado não são veiculadas. Ontem, não se viu por aqui Livorno e Fiorentina. Na semana passada, no sábado, tão pouco no domingo passado, viu-se o posticipo entre Genoa e Napoli. O que era de costume no passado, foi dando lugar a uma cada vez maior repetição de padrões: o Milan é o time preferido dos canias de TV só que um dos motivos da preferência está se tornando incômodo. Ele se chama Leonardo. Escolhido para 'substituir' Ancelotti no banco rossonero.

A escolha dele foi elogiada por vários comentaristas, apesar da ressalva de sua pouca experiência. Foi nitidamente uma questão de patriotismo e puxa-saquismos baratos. Tão ligado a Galliani e a Berlusconi, se tornou produdo de propaganda por aqui. Queriam transformá-lo no mártir capaz de colocar o Milan nos trilhos, após os fracassos da última temporada. Só que hoje, a coisa mudou de figura. Na transmissão da ESPN, o 'treinador' brasileiro foi constantemente criticado por Lancellotti e seu colega João Palomino. De repente olharam pra ele e descobriram que aquela figura simpática não é bem aquilo que eles vendiam nessas 5 últimas semanas. De quebra, sobram críticas às pífias performances de 'Dinho. Que passa mais tempo na boate do que nos campos de Milanelo a treinar. Mas como assim? Eles não seriam os pilares desse novo Milan, vendidos por 9 em cada 10 jornalistas?

Entretanto, o ápice foi na semana passada. Enquanto a líder Sampdoria jogava contra o Siena e a Inter duelava com o Cagliari, SporTV e ESPN transmitiam o quê? A esperadíssima partida entre Milan e Bologna, vencida pelo time de brasileiros. Ou seja, os telespectadores ficaram sem escolha. Sujeitos às preferências por esse ou aquele queridinho que dá audiência. Quem gosta de Calcio vê até Catania contra Bari, que não duvido nada, podem fazer uma peleja ser bem mais interessante do que um cotejo envolvendo o Milan. Aliás, as partidas da Serie B podem ser mais interessantes do que algumas da Serie A!

Bem, eu ao menos fui à praia, tirei fotos e ouvi os pássaros cantando 'Il cielo è sempre più blù(cerchiato)'

Leonardo: aos poucos, o sorriso vai sumindo...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

The Good, The Bad and The Ugly Song

Foi muito criança que conheci muitos dos 'filmes de cowboy', como os chamava. Adorava assistí-los. Era a mocinha slava das garras dos bandidos. O índio que era cercado pelos inimigos. A areia do deserto texano que queimava sob o sol escladante.

Vem dessa época a lembrança da canção de Ennio Morricone, 'The Ecstasy of Gold', tema antológico do filme 'Três Homens em Conflito', dirigido pelo italiano Sergio Leone e estrelado por Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach. Três homens distintos em busca de uma fortuna em ouro roubado. E no final da película, o encontro com o tesouro e o conflito final. Um filme que inspirou todos os outros do gênero.

domingo, 20 de setembro de 2009

'PDV' En Vivo

Un Madrid Sin Piedad. Essa é a chamada da reportagem do Diário AS. É melhor não perder a conta. 1,2,3,4 e 5. Quando a nova versão dos Galáticos entra em campo, pode se esperar de tudo. Ainda mais se o adversário é o recém promovido Xerez. Cristiano Ronaldo, Van Nistelrooy, Benzema e Guti balançaram as redes.

Mas o Barça também dá espetáculo. Vence o Atlético de Madrid por 5 a 2 com redes de Messi, Daneil Alves, Ibrahimovic e Keyta. Não resta dúvidas de que o talento de Messi é o diferencial deste bBarça, mas não é só isso. O Barça move-se pelo conjunto. Inspiração pura nos campos da Espanha.

O Valencia, entre idas e vindas, altos e baixos, empatou em casa com o Sporting. O time, longe de ter algo a mostar de diferente da temporada passada, sofre para reencontrar-se. Nem mesmo a esterla de David Villa brilha onde há tantas nuvens a ofuscá-lo. Aliás, ele mesmo se ofusca quando sai de campo e critica aos companheiros, ao invés de portar-se responsavelmente como um líder. E assim, Lady já nem se lembra mais dos áureos tempos em que os 'mouros' eram a pedra no sapato de Real e Barça...

En cena: Madrid y los Galácticos!

'PDV' Premiere

Emocionanete derby de Manchester. Decidido aos 50 minutos por Michael Owen, aquele mesmo, que vivia (observe o passado) machucado. Mudou-se para o lado dos primos ricos de Manchester desacreditado, mas a cada fim de semana de jogos, vem mudando o passado e construindo uma história de superação.

E em mais outro derby, dessa vez em Londres, o Chlesea mantém a série de resultados positivos e derrota o eterno rival Tottenham Hotspurs por 3 a 0. Gols de Cole, Drogba e Ballack. Líder absoluto da Premier, Carlo Ancellotti já tem muito o que comemorar, pelos resultados e pelo seu inglês. Redknapp mostrou na entrevista à BBC que não é só no Brasil que se reclama da arbitragem I.

Liverpool vence a quarta partida seguida, dando sinais de que a pequena crise está indo embora. Niño Torres, 6 gols em 6 jogos. Desapontamento para Zola, coach do West Ham, que ainda busca a primeira vitória na temporada.

Arsenal Wenger derrota o Wigan por 4 a 0. 'O mais importante é a bola entrar no gol', filosofou o treinador após a partida. Destaque para mais um gol do brasileiro Eduardo Silva e do Kinder Ovo Man, Césc Fábregas.

Chelsea mantéma liderança com 18 pontos, seguido de Liverpool, United e City empatados com 12 pontos.

Passe de Giggs e Owen se transforma no man of the match!

'PDV' à la Italiana

Bem, como será que uma torcedora descrente reage ao fato de seu time ser líder da Serie A? Ela certamente responderia, isso é impossível. Como assim? 4 vitórias seguidas, sendo 2 fora de casa, sempre ponto de questionamentos quando o time em questão, a Sampdoria, saía para jogar fora de casa. A vinda de um novo treinador, culminando com a strepitosa forma da tríade Palombo-Cassano-Pazzini está colocando fogo nessa nova temporada.

Outro time, a Juventus, também vem de 4 resultados positivos. E com Del Piero na reserva, o time se mostra muito mais sólido na defesa, com um Diego inspirado e Iaquinta que parece não ter perdido seu faro de gol. Recomendo os posts do Blog Bianconero Portoghese, mais juventino que esse blog, não há.

A Inter, mesmo em defasagem de pontos, segue esperando por um tropeço dos rivais. Para quem ainda tinha dúvidas sobre Milito e Eto'o juntos, esqueçam-nas. Eles jogam sem tomar conhecimento do adversário. Começaram perdendo na Sardegna e viraram o jogo no segundo tempo.

O Milan teve seu momento na partida de hoje. Relatos dão conta de que Galliani colocou nos vestiários a música da Champions, para que os jogadores a sentissem ao chegar. A vitória de hoje tem nome e sobrenome: Clarence Seedorf. Perguntinha que não quer calar: Ronaldinho tinha febre ou não tinha? Não é mais fácil dizer que ficou de fora por motivos técnicos. Até quando ele sera bajulado em Milão?

Romanos, não sem empolguem. A vitória de hoje sobre a Fiorentina foi acidente de percurso. Vocês sentirão na pele o que os juventini sentiram por 2 anos seguidos sem poder fazer nada! A Roma depende de Totti. Quando ele não perde pênalti e joga bem, vai lá. Mas se tirá-lo do time, já era. E o que dizer de um treinador que vai na mídia e diz que precisa reinventar a forma de Totti jogar porque ele é previsível? OMG... Kamikaze!

Outros resultados: Chievo 3 a 1 no Genoa, Parma 1 a 0 no Palermo (tá na hora do Zamparini dar as caras de novo!), Bari 4 a 1 na Atalanta (que ainda não marcou um 'pontito' sequer), Catania 1 a 1 com a Lazio e para finalizar, o Hollywoodiano Napoli empatou sem gols com a UdiNatale.


La Viola va kapult. Subisce il 3 a 1 con la Roma.

PS. Hoje, torcedores da Reggina tiveram um encontro com Novellino e Volpi para discutirem os péssimos resultados do time nas últimas partidas. Coitado do Volpi, está tendo um final de carreira melancólico. Se ao menos tivesse no passado considerado mudar-se para o Parma...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

The Bid

Sou valioso. Da última vez que me compraram, fui cotado em 6 milhões de libras em valores atuais. Mas isso foi em 1930. De lá pra cá são mais de 75 anos e o mercado tem outras regras. Dizem por aí que meu valor se agigantou. Não sei, não. Acho que andam exagerando um pouco. Mas pensando bem, se Cristiano Ronaldo vale 96 milhões, perto dessa cifra, meus 41 são fichinha. Afinal, sou um morto eternizado que está a distância de um clique dos seus olhos.

Nesses últimos anos, e bota anos nisso, estive recluso. Prefiro deixar pra lá qualquer especulação sobre meu paradeiro. Após 40 anos resolvi aparecer de novo e ver como andam as coisas nesse tal mundo globalizado. Me assustei um pouco. É muito dinheiro rolando nos negócios, muita fome e miséria, enfim, tudo era como em 1658, ano em que nasci, exceto pela virtualidade - conceito mais esquisito. Poucos com muito, muitos sem nada. O mundo numa tela, que em nada se parece com as canvas que meu mestre usava para contar suas histórias.

Não vivi a fartura e fama de meu pai. Ele era um daqueles homens que gastavam mais do que suas posses permitiam. No fim da vida, vendeu suas obras a preços irrisórios e pior, desfez-se de nossa linda casa. Tudo isso por conta da crise que se abateu sobre a família. Meus caros, aprendi com esses revezes nos poucos anos em que vivi com meu pai. Ele foi um mestre com os pincéis nas mãos. Já não se podia dizer o mesmo com a calculadora. Muitos o consideram um grande ícone da pintura mundial. Não posso dizer muito pois a modéstia habita meu ser e não me permitiria narrar aqui as virtudes de minhas raízes. Detestaria soar arrogante ou presunçoso. Entretanto, tenho orgulho de fazer história. No mundo dos milhões, ser da arte tem lá suas compensações. Mesmo que não possa usufruir delas. Esse sou eu...

"Homem, a Meia-Distância, com as Mãos na Cintura" em retrato de Rembrandt

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

'PDV' 3 anos!

Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.

A palavra mágica de Carlos Drummond de Andrade

Ofício de blogueiro é parar, olhar o mundo e materializá-lo através das palavras. Nada mais justo do que homenagear essa unidade rica e lutadora para garantir-se no mundo cada vez mais high tech. Se tudo faltar, lá estará ela, saindo da boca de um poeta, vinda das páginas de um livro, virtualizadas nas páginas de um blog. Um blog que nasceu para que meus pensamentos tomassem a forma delas e que me fizesse ver e experenciar para algo para além de mim. Por esses três anos bem vividos e cheios de histórias para contar, agradeço aos meu fiéis leitores pelas visitas, comentários e incentivo. Viva a pluralidade!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Mamma Queen, Hermano King

Esse foi o US Open marcado pela imprevisibilidade. Bem poucas pessoas imaginariam que os vencedores do torneio seriam um Argentino de 20 anos, que ficou 'conhecido' no circuito no final de 2008, e uma belga de 26, mãe de uma garotinha muito 'sexy' e que retornou ao circuito após 2 anos, e que fora convidada pela USTA para participar do último Grand Slam do ano, e que ela conquistara em 2005.

É. Se pudesse resumir em poucas palavras o que seriam Juan Martín Del Potro e Kim Clijsters em 2009, ficaria de bom tamanho. Se fosse considerar o que eles fizeram ao longo de duas semanas de jogos, aí teria que fazer justiça a eles. Brilhante é pouco para Del Potro. Incrível é pequeno para Clijsters.

Del Potro enfrentou de uma vez os dois tenistas mais completos da atualidade, Federer e Nadal. Derrotou ambos em partidas em que não se pode questionar seu potencial. Golpes precisos e potentes fazem parte de seu repertório. Mas a tranquilidade de veterano é o seu cartão de visitas. Ele não parecia intimidado pelos adversários, ao contrário. Ele fez a postura do penta campeão Federer mudar. Deixou-o cabisbaixo e até irritadiço. Com Nadal nas semis, não deixou o espanhol entrar em quadra. O placar foi inquestionável: 3 sets a 0 com parciais de 6-2 em cada set. Contra Federar, a possível pressão pode ter sido responsável pelo 6-3 inicial imposto pelo suíço. Desde então, o argentino fui um autêntico rival. Foram 2 tie-breaks vencidos e um soberbo 6-2 no quinto e último set para não deixar dúvidas. 'Ele tem tudo para ser o novo número um do tênis nos próximos anos', nas palavras do comentarista do SporTV, Dácio Campos, profetizando também que Federer teria trabalho em quadra na final. Dito e feito. Uma cena incomum na premiação. O troféu de campeão mudou de mãos após cinco anos e 40 vitórias consecutivas no torneio.

Convidada que estragou a festa dos anfitriões. Não resta dúvidas que, embora marrentas, as irmãs Williams tem torcida em casa. Os americanos esperavam pela dobradinha na final. Entretanto, no meio do caminho havia uma tenista que apenas anunciara sua volta ao circutio da ATP após um gap de 2 anos. Casou-se, perdeu o pai, foi cuidar da família e ganhou uma filhinha e um dia viu que sentia falta do tênis. Foi esse o combustível que levou a belga Clijsters à final. Uma enorme vontade de vencer. E na partida contra Serena Williams, válida pelas semis, ela já deu mostras de que sua chegada até ali não fora fruto do acaso. Ela foi aguerrida. Lutadora e tranquila, deixou Serena queimar-se sozinha com o fogo que provocara ao ofender uma das juízas de linha. Resultado foi a perda de um ponto - ela já havia sido penalizada por quebrar a raquete depois de um pequeno piti - e consequentemente a vitória da adversária, que naquele momento somava ao seu favor dois match points. A final não foi tão fácil como pareceria logo de cara. A jovem dinamarquesa, Caroline Wozniacki - meio polonesa também - foi pra lá e pra cá, deixando a belga tonta de vez enquando. No fim, a voz da experiência na hora de fechar um game, na hora de dar um ace, enfim, nos momentos chaves. Caroline tem futuro. Já é vice de um Grand Slam. Enfrentou a pressão de jogar na quadra central com as câmeras do mundo todo voltadas para ela.

Não escondo minha predileção por Clijsters e minha doppia admiração por Nadal e Federer, cada um ao seu modo. Vibrei no domingo com a vitória da belga. Vibrei com o lance de Federar na semi-final contra o Djokovic. Não me entristeci na sua derrota. No tênis, como em qualquer esporte, existem vitórias e derrotas. Elas coroam os heróis, mascaram pretensos vilões e engrandecem os Esportistas. Mas brotar dentro de mim aquela paixão por esse esporte. A planta que havia no passado, deu lugar a uma pessoa mais observadora, atenta à beleza do jogo, e que confessa a vocês que se pudesse, teria pegado a raquete que está guardada lá no fundo do armário e voltado a jogar na seguna-feira, até mesmo debaixo de chuva. Neste final de semana que passou, Premier, En Vivo e a la Italiana ficaram bem distantes de minha realidade. Meu Hawk Eye esteve atento a tudo e a todos.

Falando em estar atento a todos, quantas celebridades estiveram nas quadras do Complexo de Flusinhg Meadows! Alec Baldwin, Jake Gyllenhaal, Zenedine Zidane, Bruce Willis, Tonny Bennett, Nicole Kidman e o marido, Gene Wilder, Jack Nicholson e claro, o casal fashion Gavin Rossdale e Gwen Stefani. Não é só o basquete que atrai a galera famosa, não. O tênis também se faz de celebridade.


Esse já é considerado o melhor ponto da história do tênis!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

He had the time of his Life

Patrick Swayze
(18/08/1952 - 14/09/2009)

sábado, 12 de setembro de 2009

The Perfect Stranger Song

Quando assisti ao filme 'Uma Estranha Perfeita', estrelado por Halle Berry e Bruce Willis, gostei do que vi. Só que eu tenho um pequeno problema: presto mais atenção na Trilha Sonora do que no filme em si. Não é que as películas não me agradem, ao contrário, a combinação música/cena é o que me convence mergulhar fundo na história que me é apresentada. É coisa esquisita eu sei. De fato, esse é um dos motivos pelos quais assisto ao mesmo filme várias vezes. Tento decifrá-lo. E uma das formas que encontro para tal, é prestando atenção nas escolhas musicais para cada cena.

Esse hábito acabou por me tornar colecionadora praticamente de trilhas sonoras. Tenho muitas e leio atentamente o catálogo que as acompanham e nele descubro informações preciosas, sobretudo quando um artista é convidado especialmente para desenvolver os temas dados. E nesse grupo, coloco também aquelas trilhas chamadas de Score, ou seja, instrumentais. É aí que a alma das personagens é captada pelo artista e é transmitida a nós telespectadores por aquela musiquinha lá no fundo, que parece apenas um detalhe, mas que faz toda a diferença. Esperimente ouvir o filme, os diálogos e a música ao fundo. É possível experenciar dor, medo, alegria e divertimento. Aí eu pergunto: há alguma graça em filmes sem música?

Meu ponto é o seguinte: a música que encerra essa obra em particular é fantástica. Muitos podem considerá-la triste, melancólica, mas se você ouvá-la bem, ela é exatamente o contraponto do filme. Fala da personagem em cada palavra e em cada acorde. Isso sim é que é aproveitar um tema e desenvolvê-lo bem. Espero que gostem da seleção deste fim de semana em homenagem a aniversariante do mês, Halle Berry!



'I'm going down
To the devil's water
I'm gonna drown
In that troubled water...'

No fim, acabei por achar que as águas turbulentas as quais Cat Power se refere podem ser o cérebro doentio da personagen. Por que não?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Psico Película - O Corte

Crítica lida e aporvada pelo selo de qualidade do Blog PDV. O filme O Corte do diretor Costa-Gravas é a minha recomendação do mês.

Um cidadão comum, alguém que poderia dividir com nós a mesa do café superlotado. Um amigo desesperado por emprego. Aquele parente tema das conversas nos encontros de família apenas por estar desempregado. Enfim, uma vítima do exaustivo ritual de entregar currículo, agendar entrevistas, ser rejeitado e estar nas mãos dos cada vez mais poderosos gerentes de recursos humanos. Ele poderia ser qualquer um de nós nesse mundo globalizado, tomado pelo desemprego. Mas calma. Eu disse poderia...

'O cineasta Costa-Gavras é conhecido por filmes políticos como Desaparecido ("Missing" de 1982, que recebeu indicações ao Oscar incluindo melhor filme e levou o de roteiro adaptado) e o recente Amém, que lidava com a omissão da igreja ao Holocausto. Em O Corte, ele lida com a questão do capitalismo, ganância corporativa e do desemprego, mas utilizando a melhor forma de crítica, a comédia. Mais precisamente o humor-negro.

Bruno Davert, um executivo da indústria de papéis, está a dois anos sem conseguir emprego e ao ver suas economias chegarem ao fim sente que seu estilo de vida está ameaçado. Isso acaba fazendo com que Bruno enlouqueça e comece a traçar um mirabolante plano para recuperar seu emprego: assassinar o homem que ficou no seu lugar e todos os possíveis concorrentes. Qualquer semelhança com a recente situação da brasileira que mandou matar sua concorrente ao emprego é mera coincidência, mas acaba por trazer a história, por mais absurda que seja, mais próxima de nós. O filme alterna as incursões criminosas de nosso anti-herói com uma outra empreitada igualmente complicada, que é manter sua família na ignorância e unida apesar da crise.

As investidas do desajeitado serial killer rendem risadas e é notável como Gavras sustenta o humor e o suspense após tantos anos de filmes densos e sérios, aqui ele se diverte, inclusive brincando com clichês de filmes americanos como o noticiário de televisão que sempre fala sobre o assunto do filme na hora que os personagens principais estão vendo, ou ao exagerado product placement que pontua o filme inteiro mas você nunca sabe exatamente que produto é. Dividindo boa parte dos méritos está a ótima atuação de José Garcia, que com sua aparência mediocre e ótimo timing consegue convencer a platéia como cidadão comum levado às últimas consequências, mesmo que a verossimilhança de alguns acontecimentos seja duvidosa. Acho que todo mundo que já esteve desempregado por um longo período vai se identificar com o drama e (espero) rir com Bruno.

O Corte só peca por se estender mais do que o necessário, o filme se beneficiaria de uns bons 20 ou até 30 minutos menos. Felizmente ele consegue prender a atenção e ainda tecer um ácido comentário sobre o nosso tempo, onde o homem vale apenas pelo dinheiro e as coisas que possui. O filme chegou a receber duas indicações ao César, melhor ator para José Garcia e melhor roteiro adaptado.'

Foto do Post: cineplayer.com.br

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Vamo Nessa Brasil!

O governo resolveu ressucitar o plano de construção de um trem de grande velocidade no país. Com otimismo e tudo dando certo (certo?), até 2014 ele estará pronto para operação.

Sonhar não custa nada, não é senhor presidente?

De: Millor online