domingo, 18 de abril de 2010

'Bota Fogo' no Rio de Janeiro


Tudo de bom. Parabéns ao Botafogo, que desbancou o campeão brasileiro, Flamengo e sagrou-se campeão Carioca. E a estrela de Joel Santana brilha. Quanto ao Flamengo... Ah, o Flamengo...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Fiquei perdida, ilhada e sem noção.

Só mesmo o Cristo 'salva'

Segunda-feira, mais ou menos às 18:50 o maquinista do trem informava que o trem não seguiria viagem pois os trilhos estavam cobertos de água. Naquele momento, não me desesperei. Pensava que conseguiria transporte facilmente do lado de fora da estação. Afinal, a chuva havia começado há pouco. Na verdade, voltava de Caxias e desconhecia que chovia torrencialmente no Rio há 50 minutos.

Foi apenas ao sair da estação que percebi o caos do local. Não sabia onde estava. Chovia muito e já começava a ficar com os pés molhados e a roupa respingada. Perguntei a um senhor onde estávamos e ele, mais perdido que eu só me disse que ia pra Copacabana. Mal sabia eu, que esse mesmo senhor a uns metros de distância seria tão importante pra mim.

Fui andando seguindo o fluxo de gente. Sozinha, num momento de desespero peguei o telefone para ligar para uma pessoa com quem me encontraria mais tarde. Chorava e falava coisas desconexas. Realmente não sabia o que fazer ali, naquela rua que se alagava aos poucos, sozinha, molhada, abandonada.

Parei debaixo de uma oficina junto com algumas pessoas, dentre elas, aquele senhor lá de cima. Ele me reconheceu e disse que andaria até a estação seguinte, onde haveria metrô. Fiquei quieta. Minha cabeça pensava no que fazer. A rua ia enchendo cada vez mais. Mais uma vez ele me disse o que faria e eu, com medo, não sabia mesmo o que fazer. Disse a ele que não poderia andar muito rápido porque estava recém operada e minhas bolsas estavam pesadas. Ele disse que eu deveria ir, mesmo que devagar pois estava perigoso ficar ali. Fui. Mais duas moças se juntaram a nós.

Graças a esse senhor, cujo nome nem soube, mas soube se tratar de um padeiro de um hotel da zona sul, saí do caos do temporal do Rio. Se tivesse ficado lá na marquise, no meio da rua, sabe-se lá o que teria acontecido comigo.

Foi ele que pacientemente me esperava atravessar as ruas quando a água ameaçava nos alcançar. Me deu sua mão para subir uma calçada mais alta e me esperava quando meu fôlego parecia estar indo embora. Ele poderia muito bem ter ido rápido. Quando seu passo aumentava e ele estava lá longe. De repente o via parado esperando me aproximar. Nada o impedia de seguir seu caminho. Mas ele deu um exemplo de solidariedade num momento tão difícil. Chegamos ao metrô quase 40 minutos depois e quando cheguei ao Flamengo, não conseguia parar de agradecer a ele pela ajuda. Se não fosse por ele, não teria chegado aquele dia em casa.

Hoje, me recupero de um belo resfriado adquirido por ter ficado toda molhada. Não fui trabalhar. Tenho febre e o corpo dói. Felizmente, recebi ajuda. Infelizmente, muitas pessoas na cidade e redondezas não tiveram alguém para ajudá-las. É assustadora a sensação de se sentir sem rumo no meio de um temporal. É alentador saber que no meio disso tudo, ainda podemos encontrar pessoas dispostas a ajudar ao outro.