sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A Raquete Donnay

O dia em que Guga chegou ao topo do mundo do tênis

Ficava acordada nas madrugadas de janeiro vendo o Australian Open e tentava entender esse esporte 'charmoso'. De dia, corria para jogar pingue-pongue. Nada a ver. Mas foi daí que comecei a gostar das bolinhas pequenas e no poder hipnotizante da raquete. Via e admirava Ivan Lendl. E tentava entender essa coisa de tcheco naturalizado americano e os escores malucos, tais como 0-30, 40-0, pois até onde sabia, não se contava de 0 a 30 de uma vez.

Me lembro que numa das viagens para São Paulo, ainda criança, pedi uma raquete de tênis aos meus pais. Não tinha na cabeça naquele momento que queria jogar tênis seriamente. Queria mesmo era me divertir. Usar a raquete grande.

A parede da garagem da casa virou a parede da quadra fictícia na minha cabeça. A rede era uma marca feita de giz. E a colorida raquete era a partir daquele momento a mair diversão que teria nos anos seguintes.

E foi então que num desses domingos, assistindo a TV Manchete, vi, pela primeira vez, aquele americano loiro, de cabelos compridos e roupas coloridas, extravagantes. Era Andre Agassi. Nada de amor a primeira vista. Reparei no nome que estava escrito na raquete amarela: Andre Agassi! E eu tinha a raquete do Andre Agassi. Caramba! Sei lá o que isso significava, mas Andre Agassi foi a inspiração que precisava para começar a ir ao clube e tentar aprender seriamente a jogar tênis.

E foram tantos outros tenistas homens e mulheres que me ajudaram a sair do casulo, juntamente com os roqueiros cabeludos. Usava o esporte a a música para me comunicar com o mundo. E adorava ser reconhecida como a morena do tênis lá no clube. Era desajeitada, mas a minha vontade compensava a falta de talento!

Infelizmente, morar no Brasil não significa ter acesso a esses jogadores e jogadoras. Poucas são as chances de vermos tenistas da ATP bem ranqueados jogarem no país. Por isso, me lembro de ter poupado durante uns 6 meses para ver a recém aposentada Steffi Graff no Maracanãzinho, na década de 90 numa exibição contra a espanhola Cochita Martinez. Foi o máximo!

E amanhã, terei a chance de ver ao vivo e a cores, de uma só vez, Andre Agassi e Gustavo Kuerten, no desafio que acontecerá no mesmo Maracanãzinho em que vi Steffi, a mulher de Agassi. Tento passar a semana tranqueila, mas quando olho pro ingresso na estante, ainda tenho que me beliscar, pois não acredito que verei dois ídolos de perto. Aposentandos ou não, são os mesmos rapazes vencedores e irreverentes, cada um à sua maneira, a estar em quadra.

Poucos sabem que essa partida tem um sabor especial. Há dez anos atrás, Guga chegou ao posto de número 1 noranking após derrotar Agassi no Master Series de Lisboa, no dia 4 de dezembro de 2000.

Será um longo dia o de hoje e parte do de amanhã ...


'It's just a perfect day and I'm glad I'm gonna spend it with you two, guys'