domingo, 15 de maio de 2011

Em Sampa para ver The Cult


São Paulo é grandiosa. Já fazia alguns anos que tinha visitado a cidade. Fui bem recebida pelo tempo. O frio que esperei, não chegou. Ao contrário, fez um dia de sol. Foi meu quarto show do Cult e apesar da proximidade deste e da distância dos outros, esse foi o melhor. Ian Astbury estava com um bom humor que impressionou. Pode ter sido o aniversário que o deixou mais alegre. Ele não é muito de rir e fazer graça com a galera, mas ontem foi diferente. E o Billy Duffy? Puxou o 'parabéns pra você' e falou com o público. Devia estar feliz mesmo porque o Manchester City foi campeão ontem.


O show foi completo. Uma mistura equilibrada entre músicas clássicas da banda, como '...Sanctuary', 'Rain', 'Fire Woman', com novas canções, tipo 'Ambers', uma música que ainda me intriga. Não consigo colocá-la em nenhuma categoria. O tempero veio com 'Rise' e 'Sweet Soul Sister' que fez a galera se agitar. O elemento surpresa? Eu mesma demorei a acreditar que ouviria ao vivo, 'White', que o próprio Astbury chamou de momento místico e que Billy Duffy, com sua Les Paul marrom, fez o solo de arrepiar. 


O público vibrou com 'Love removal machine', 'Wild flower' e 'Li'l Devil', canções de 'Electric', adoradas pelos fãs que adoram pular. E eu, gritei até ficar rouca os versos de 'Spiritwalker', cuja letra é a síntese da alma gótica da banda - 'Let all the children kiss the sun, before they sing their last song, I will give you even my body, spiritwalker...' Como vem fazendo há alguns anos, o Cult não tocou 'Revolution', sua música de maior sucesso. Uma certa incoerência e insensibilidade com relação aos fãs. Ainda bem que nem pediram essa música, porque num dos shows que fui no passado, esse pedido enfureceu Ian Astbury. Aliás, 'Painted on my heart' parece ser a incorporação da lenda passada no presente. Ele começou a cantar sozinho o refrão e depois parou dizendo ao público que 'essa não!'. Cheguei a temer que o moço fosse dar um piti nesse momento. 

A gente sai de um show desses e acaba sempre lamentando não ouvir uma ou duas músicas. Pra ser sincera, em se tratando de minha banda preferida, a lista é, sem dúvida, muito superior a uma, duas músicas. Mas para honrar a performance da banda, vou ficar com 'Heart of Soul' e a psicodélica 'The witch'. Elas completariam esse set list bem elaborado.

O momento tiete ficou obviamente para o final. Após o show, fui para o portão de saída da banda e junto com umas cinco pessoas, fiquei lá, uma hora e meia em pé na esperança de uma foto com Billy Duffy. Infelizmente, não consegui. Eles saíram em retirada, na van que os levaria pra balada. Pude vê-lo ainda de perto, mas voltei sem a desejada foto. Entretanto, consegui, mais cedo, trocar umas palavras com o 'Cult' mais novo, mas nem por isso menos conhecido. O baterista John Tempesta, que antes fora membro do Exodus e do White Zombie. Apareceu na calçada, como um mortal, e foi, literalmente, 'pra galera'. Éramos poucos a suportar o frio e conversei com ele sobre o show, o que já vira da banda até esse dia e sobre a carreira dele. Posso dizer que a conversa de uns cinco minutos valeu pela aula de inglês da semana. E eu, claro, voltei pro hotel muito feliz de ter investido cada real nessa viagem. A lifetime experience.