quarta-feira, 8 de junho de 2011

Elected

A entrada do show

Eu voto nele. Voto para roqueiro com alma de artista. Aos 63 anos, Alice Cooper ainda surpreende. Surpreende pela vitalidade, criatividade e dinamismo que coloca nos seus show. Aliás, mais do que um show, é o 'Teatro de Horror de Alice Cooper'.

Imagine que comprei ingresso no mesmo dia. O Citibank Hall nem estava cheio. O público era basicamente dividido em duas gerações. Os frequentadores de festas de rock na cidade, os jovens de 12 aos 18 anos. E homens e mulheres que viveram a época áurea do rock, década de 70\80. Conheci pessoas super legais lá na turma do gargarejo. Mães com suas filhas e filhos e pais com seus rebentos mais novos, mostrando que o gosto pela boa música começa lá atrás e nos acompanha ao longo da vida.

Quando disse que foi um teatro de horror, não era exagero. Os shows de Mr. Cooper costumam ter elementos teatrais, mudanças de figurino (foram uma 13) e espetáculo, como por exemplo, a encenação de Alice sendo executado numa guilhotina, esta, sem dúvida o ápice do concerto. A galera vibrou. E Alice parecia estar curtindo cada minuto do que acontecia. Claro, tudo era divertido, irônico.
A noite começou animada com Alice chegando numa enorme escada vestido de aranha. 'Spider Alice' foi levado pela plateia, porque sinceramente, nunca estive num show em que as músicas eram cantadas com tanta energia. Em seguida, com as sucessivas mudanças, o cantor apareceu distribuindo dólares fictícios com seu rosto estampado nas notas, veio de Dr. Horror, apareceu com uma espada mágica, dançou com uma boneca na balada 'Only Women Bleed' e surgiu como político cara-de-pau, figura já conhecida dos brasileiros, cujo discurso terminava assim 'O Brasil tem problemas, São Paulo tem problemas, o Rio tem problemas, e quer saber? Eu não estou nem aí!' 

Mal se podia sentir a hora passar. Era uma música emendada em outra. A banda muito afinada e com som pesado. Eram 3 guitarristas, sendo que um deles Steve Hunter, retornava à banda após um hiato. O outro, o multi-tasked Tommy Henriksen, que compõe, canta e produz, inclusive outros artistas. Foi com ele que tive uma conversa muito legal ao fim do show. Ele contou da turnê europeia, que começaria na semana seguinte, falou do seu trabalho paralelo à banda e do que escuta na estrada. Me surpreendi com algumas coias. 

A turnê recebeu o nome de 'No More Mr. Nice Guy', sucesso da década de 70, de onde veio a maioria das músicas que compuseram o set list. Nem de longe, o cenário lembra as pirotecnias de mega apresentações de U2, Metallica, Bon Jovi e outros. Ali, o que mais importava era a música. O teatro faz parte, mas sem o próprio Cooper, nada teria a menor graça. Aliás, graça não faltou nem na hora dele apresentar uma música nova. Vestiu uma jaqueta jeans com a inscrição 'New Song' nas costas e ao tirá-la, via-se uma camisa branca, camuflando manchas de sangue e coma inscrição atrás 'I'll Bite Your Face Off'.  Tinha até um cara que parecia morder uma coisa mesmo ficando com a boca cheia de sangue. Ou melhor, tinta vermelha!

Me senti como se tivesse voltado no tempo. Tinha 18 anos de novo. Ouvir 'Poison' ao vivo foi demais. Cantar 'School's Out' foi revigorante. Ao final, queria que tudo começasse de novo. 

Eu com o guitarrista Tommy Henriksen