sábado, 7 de abril de 2012

10 Years Without Him: Layne Stanley

Layne Stanley (22/08/67 - 05/04/2002)
10 anos... Não dá para esquecer. Adorava Alice na época e enquanto tanta gente foi ao Hollywood Rock ver Red Hot Chilly Peppers, a garota tímida do ônibus dizia que estava lá para ir ver Alice In Chains. Me lembro pouco do show, mas obvio que para um adolescente, o momento deve ter sido mágico, louco. E nessa semana, um aluno de 14 anos me interrogou uns 5 minutos sobre essa época, mal acreditando que a 'teacher' viveu intensamente a era grunge. E aí, comentei que recordava vivamente o dia da morte de Layne, que vi anunciada na Globonews. Estava no bar do meu pai e víamos o noticiário juntos. Foram minutos de incredulidade, a voz embargada e os olhos marejados. Meu pai não entendia muito o que estava acontecendo... Eu entendia, perdia uma pessoa que através da música dele, falava o que muitos jovens sentiam: dor, tristeza, vazio e o mundo das drogas, que apareceu para 'tentar' tornar sua existência mais suportável. A história de muitos roqueiros começa e termina assim. Sufocada e destruída. É triste, mas não os torna mais ou menos especiais. Os tornam humanos como nós. De coração, carne e osso!


Curiosamente, Layne Stanley teve seu corpo encontrada no mesmo dia em que Curt Cobain cometeu suicídio, oito anos antes, 5 de abril de 1994. Nunca fui muito fã de Nirvana. Mantive uma relação especial com o Alice In Chains porque a personalidade de Layne me intrigava. Suas letras me fascinavam. Na época, estava prestes a começar o curso de Psicologia. Lia, nas horas vagas, Carl Jung, que falava de sonhos, desenhos, arquétipos. Representações através das quais nosso inconsciente ganha sentido real. Achava que Stanley, através de suas músicas, pedia socorro. Ele expressava profundo pesar e desalento com sua vida, que deixava aos poucos de pertencer a ele. O suicídio dele me comoveu bastante na época, mas não me surpreendeu.

Quando fiu ver o show do 'novo' Alice In Chains no SWU no ano passado, senti algo estranho. Me senti no meu lugar, e uma energia incrível daquelas pessoas cantando cada uma das músicas intensamente. Por algumas horas, voltei passado e revi, como num filme, a menina angustiada e introvertida, contida e silenciosa, cujas paredes do quarto eram cheias de posters. Era isso: a música falava por mim. Falava tudo o que não conseguia verbalizar. A geração Grunge deixou seu legado para o mundo. Eram filhos da geração pós-Vietnã. Filhos cujos pais foram para a guerra. Filhos de uma nação pautada no capitalismo e individualismo. A era Grunge representou muito mais do que um movimento musical. Ela representou a explosão de sentimentos de jovens que viram de perto suas famílias tiradas de perto deles e que tiveram que conviver com abandono, solidão e incompreensão. Como jovens poderiam sozinhos conviver com isso? Qual modelo eles teriam para seguir?

Para nós, não americanos, parece uma realidade distante, mas então qual e o lugar comum disso tudo? Penso que ser adolescente é o ponto comum. A etapa dos questionamentos e incertezas. E a partir daí, a necessidade de se expressar. De colocar pra fora a angústia que para muitos é insuportável. A arte cumpre esse papel. Seja na música, nas artes ou na literatura. Quando vejo hoje um aluno com uma camisa do Nirvana, ou falando de Curt Cobain, da música dele, paro. Escuto deles o que essa música significa. Falo desse mundo em que ela foi criada. É uma troca incrível, sobretudo quando você percebe neles a maturidade para falar e estabelecer paralelos entre esses mundos distantes que 'Smells Like Teen Spirit'.